Os livros são receptáculos de conhecimentos, fantasias, memórias e fontes históricas. Para haver livros, tem de haver quem os escreva. E, quando falo em livros, falo em objectos feitos de papel, com cheiro, cor, macieza ou rugosidade. Características que despertam todos os sentidos e deixam memórias indeléveis no coração.
Vou falar de um autor concelhio: Luís Filipe Torgal. É professor de História no Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital. Mestre em História Económica e Social Contemporânea. Doutorado em Estudos Contemporâneos pela Universidade de Coimbra. Investigador colaborador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Séc. XX da Universidade de Coimbra (CEIS20).
A par deste vasto currículo, possui uma rica bibliografia com títulos como “O sol bailou ao meio-dia. A criação de Fátima” (2011), “Tomás da Fonseca, Missionário do Povo. Uma Biografia” (2016), “Fátima. A (des)construção do mito” (2017) e outros. É ainda autor de diversos artigos científicos ou de intervenção cívica publicados em blogues, revistas e jornais locais, regionais, nacionais e estrangeiros.
No Sábado, dia 16 de Novembro de 2024, foi apresentado ao público o seu último livro. Trata-se de uma monografia da Fundação Dona Maria Emília de Vasconcelos Cabral: “O Conselheiro, o Fidalgo e a Casa de Baixo”. Com rigor e uma escrita fluida, o autor discorre sobre toda a história daquela Casa-Museu e do seu fundador. O passado da família é trazido até nós, de uma forma bem documentada, fácil de apreender. Assim como o presente. Perspectiva-se o futuro de uma maneira inteligente, auspiciosa e, porventura, ambiciosa também. Mas… quem não quer o melhor para a sua/nossa terra?
O livro tem uma capa muito sugestiva: um retrato do fidalgo Francisco Manoel Cabral Metello (entre 1923 e 1925) da autoria de Mário Eloy, pintor modernista português do século XX. É um retrato expressivo, que diz muito do retratado. Este é também autor concelhio, com dois livros editados: “Sáchá” e “Entre-vistas”.
Em suma, vale a pena ler este livro pelo seu grafismo apelativo e não só. Trata-se de um documento histórico de grande valor, que todos os oliveirenses devem conhecer. A apresentação foi no auditório da Fundação, num ambiente acolhedor e informal, com música pela Orquestra Music’Arte (OMA), ou seja, outra arte miscigenada com a literatura.
A emoção manteve-se no ar, sobretudo quando se recordou a Professora Célia Lourenço, prematuramente falecida, a quem o autor dedicou o livro. Uma pessoa ímpar que tanto deu à educação e à cultura de Oliveira do Hospital.
Penso que Luís Filipe Torgal está de parabéns pelo belíssimo trabalho que, em boa hora, lhe foi proposto pela actual direcção da Fundação Dona Maria Emília de Vasconcelos Cabral e que, como é seu apanágio, executou com toda a competência e rigor.
Por tudo isto, é importante que leiam o livro e fiquem a saber a história desta Fundação que é de todos nós, por vontade do fidalgo, último descendente desta distinta família. É um verdadeiro documento bem escrito e, ainda por cima, ilustrado com fotografias antigas dos familiares.
E, mais uma vez, não esqueçam:
VIVAM, VIVENDO OS LIVROS!…
(Não escrevo segundo o AO 90)









