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Emoções. Factos. Opiniões.

Autor: Folha do Centro
19/10/2022
in Opinião
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A Credibilização da Política passa pela verdade dos factos, pelas opiniões construtivas e pelo controlo das emoções de quem necessita de apoio, incentivo e não de dramatismos, alarmismos e populismos.

Nunca como hoje somos bombardeados com tantos factos, factinhos, casinhos e afins, que chegam a todos: Políticos, Empresários, Médicos, Professores, Dirigentes Associativos, Atletas, etc…etc… perdemos parte do nosso tempo a discutir a vida dos outros. De um ponto faz-se um conto. Confesso que já me falta a paciência para tanta opinião ressabiada e puramente crítica, para tanta desinformação, especialmente nas redes sociais. Felizmente vivemos num estado democrático, de livre opinião, sem censuras. Temos sempre a oportunidade de combater o populismo, as fake news, a mentira. Mas é certo que uma mentira multiplicada muitas vezes leva muitas vezes a condenações públicas, mais dolorosas e traumáticas que uma condenação em tribunal. Essas emoções são reais, são pessoas e famílias que sofrem.

Cabe aos políticos gerirem emoções, opiniões e atuar perante factos. Este princípio aplica-se a toda e qualquer atividade de serviço público. Infelizmente partimos geralmente do princípio errado. O serviço público não funciona. Os políticos são todos iguais. Olhamos à nossa volta e vemos crescer os fundamentalismos, os movimentos antidemocráticos, o discurso fácil que muitos querem ouvir, mas que todos sabem que nunca passará à ação. Preocupamo-nos em discutir o caso A, do Ministro B, o discurso menos pensado do Presidente ou a pura distração de quem tem muito para fazer e pensar na sua profissão. O facto é que o Primeiro Ministro, que até já o era, conseguiu uma maioria absoluta. Dada com o voto do povo. Foi escrutinado o seu trabalho. Foi reconhecido pelas pessoas. Mas agora parece que o voto do Povo já não conta. Aquilo que não se conseguiu nas urnas, quer-se deitar abaixo nas redes sociais, nos opinadores, nos tudólogos.

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Temos hoje uma inflação elevada em Portugal, na Europa. A culpa não é nossa, mas parece que sim. O Governo dá incentivos. Nunca chegam. O Governo aumenta pensões. Está a cortar. O Governo aumenta salários. Está a retirar poder de compra. Em suma, o Governo melhora qualquer coisa e é o regresso da austeridade. A crítica é legítima, e quando construtiva, bastante útil. Mas diariamente quererem fazer dos Portugueses ignorantes, é distorcer por completo a realidade. Já se esqueceram dos tempos da Troika, muito para além da Troika? Retiraram-se subsídios, pensões, até Feriados. Convidaram-se os Portugueses a emigrar. Extinguiram-se Freguesias, fizeram-se Mega Agrupamentos, deixaram-se milhares sem médicos de família em Oliveira do Hospital. Retiraram-se Serviços de Proximidade e apoios aos Autarcas. Já ninguém se recorda? É preciso lembrar. A Credibilização da Política passa pela verdade dos factos, pelas opiniões construtivas e pelo controlo das emoções de quem necessita de apoio, incentivo e não de dramatismos, alarmismos e populismos. Basta pensar que o atual líder do PSD fez parte dos apoiantes diretos do Governo PSD/CDS mais austero da História, para percebermos com o que podemos contar. Política sim. Alternativas sim. Gozar com os Portugueses é que não.

Agora cria-se a moda dos casos. Factos que são claros, são imediatamente transformados em histórias de abertura de telejornais e novelas diárias para os tudólogos. E não vai de modas. Toca a pedir demissões, porque o que conta não é o trabalho e o desempenho, mas deitar abaixo, só por puro oportunismo político. O que está mal deve ser denunciado e tratado nos locais próprios. Quando perdemos o nosso tempo a discutir e a especular, estamos a perder energias, a desviar atenções dos reais problemas do país. Há que ter coragem política para não dar importância a certas opiniões, nem tão pouco perder tempo com elas. Muitas vezes a indiferença é a melhor das emoções.

A consciência tranquila de que fazemos o que podemos e devemos, é o facto mais importante da política. Num período crítico da nossa sociedade, o tempo deve ser de moderação, equilíbrio, bom senso e sobretudo de discursos realistas e ações efectivas. É com estas emoções que temos de fazer serviço público.

Daniel Dinis Costa

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