Vitor Neves *Gestor
Há uma qualquer razão que a razão desconhece para que em Portugal, no que se refere a eleições, se fale mais de Presidenciais do que de Autárquicas.
Chega a ser um pouco irónico, ainda que elucidativo sobre os dias que correm, que a disputa do cargo político onde nada se faz e pouco ou nada se decide, seja o que ocupa o topo da agenda mediática. É ainda mais estranho, quando antes do respetivo ato eleitoral, outro terá lugar, para que o voto democrático decida quem vai liderar o muito que se faz e se decide no denominado poder local.
Um demonstrativo exemplo do enunciado é Oliveira do Hospital. O silêncio, incomodativo e esquisito, tem sido o eco do próximo eleitoral autárquico e só agora se ficou a saber que se anuncia um novo duelo eleitoral, Francisco contra Francisco para presidente do município.
Podemos pedir ajuda aos estafados desabafos “ninguém quer saber da política, ninguém quer saber de nada”, para justificar esta (aparente?) indiferença pelas próximas eleições autárquicas. Ou, polir mais o olhar, e antecipar que, talvez, uma boa parte das pessoas já tenha interiorizado que José Francisco Rolo vai continuar na liderança da câmara, onde já mora há muitos anos. Sintetizando, o Zé Francisco vai ganhar as eleições e ninguém quer saber.
Será assim?
A segunda parte do mandato do atual executivo municipal foi, e está a ser, pródiga em grandes momentos, suportados em grandes obras e inaugurações: na cultura, na educação e até na saúde, etc..
Os últimos dois anos em Oliveira do Hospital foram dos melhores da última década, com um grande salto qualitativo de infraestruturas fundamentais para a qualidade de vida de quem escolhe o Interior como o seu lugar no mundo.
Sim, falta dar saltos similares nas vias de acesso, no desporto, na dinamização do empreendedorismo empresarial e na fixação de pessoas, nomeadamente as mais jovens. No entanto, o atual presidente é hoje forçosamente um número 1 mais tranquilo do que o era quando número 2 em processo para passar a número 1: as obras são os golos dos autarcas, importando pouco se foi ressalto, sorte ou talento – o que importa é que aconteceu e ser a cara do golo, perdão, da obra.
Neste contexto, muitos podem pensar que o PS de Zé Francisco vai ganhar e por isso ninguém quer saber das eleições que acontecerão antes do final do ano.
Será assim?
Francisco Rodrigues, com a camisola do PSD, não parece pensar da mesma maneira. Francisco insiste. Tal como há quatro anos, quer ir a votos para ser ele o futuro Presidente e pular fora da oposição. Parece uma evidência que Francisco vai ter mais dificuldade em ganhar desta vez do que quando da primeira vez…em que perdeu!
Convenhamos que o português suave da oposição não tem ajudado, aliás, nos últimos tempos, gerou-se a sensação de o suave ter crescido para maiúsculas…e a bandeira da vergonha da obra da casa da cultura já está dobrada e o veículo da candidatura de Francisco já devia andar a fazer quilómetros. Subsiste o desgaste do poder do atual executivo, mormente do atual presidente.
Será por isso que Francisco insiste? Em democracia não há vitórias antecipadas. O voto é secreto e todos os dias passa água por baixo da ponte das 3 entradas. O interior e Oliveira do Hospital carecem de muito para um melhor presente e para assegurar futuro.
Venham daí novas ideias, propostas, projetos e boas equipas, que do voto trata quem vota. Francisco e (Zé) Francisco. Um insiste. O outro persiste?









