Na última década, estudos na área da demência mostraram consistentemente que quanto mais tempo despendido na educação, menor o risco de demência.
Setembro e outubro são meses de vindimas e quase me apeteceu trazer aqui esse tema. Ficará, contudo, para outro momento, pois pareceu-me muito a propósito abordar o regresso às aulas, momento que marca o ritmo da vida de muitas famílias. Iremos, porém, olhar e refletir sobre a escola a partir de um outro ângulo, ou seja, a aprendizagem ao longo da vida e suas consequências benéficas na qualidade de vida daqueles que são JOVENS há mais tempo.
Se é verdade que (quase todos) os nossos jovens têm como dado adquirido que é necessário frequentar a escola, mesmo após a escolaridade obrigatória, não é tão óbvio para os mais “crescidos” que investir num processo contínuo de aprendizagem terá um enorme retorno na sua saúde física e mental. Depois de uma vida de trabalho há que valorizar o tempo e a forma como dispomos dele. É o momento de usufruir, de conviver, de cuidar de nós.
E se há algo que pode verdadeiramente melhorar e mudar o “nosso” mundo, é o conhecimento e a cultura! Temos até a responsabilidade de incentivar aqueles que partilham o mesmo espaço e o mesmo tempo que nós a continuarem a estudar, a estimularem os seus gostos, a abrirem a sua perspetiva sobre o que nos rodeia!
Quando foi a última vez que nos inscrevemos num curso? Lemos um livro? Fomos ver uma exposição ou um espetáculo?
Segundo estudos indicados por uma das mais importantes revistas científicas americanas, a JAMA, a prevalência dos estados demenciais diminuiu, entre 2000 e 2012, em adultos com mais de 65 anos, e esta descida esteve relacionada com maior tempo de estudo e literacia.
A educação académica e o estudo no geral, desempenham, segundo os cientistas, um papel importante na melhoria da cognição de reserva, ou seja, a capacidade de o cérebro lidar com o dano relacionado com o processo de envelhecimento.
Na última década, estudos na área da demência mostraram consistentemente que quanto mais tempo despendido na educação, menor o risco de demência. Aliás, por cada ano adicional de estudo ao longo da vida, há uma redução de 11% no decréscimo do risco de desenvolver demência.
Segundo a Alzheimer’s Society, quanto mais o cérebro é desafiado de uma forma consistente e regular, menor é a possibilidade do mesmo desenvolver distúrbio cognitivo.
Então, se é JOVEM há mais tempo, mantenha-se Ativo e Cuide da sua Saúde. Visite e passeie em espaços culturais, aprenda sobre várias temáticas, faça desporto, conviva ou tenha tudo isto de uma só vez inscrevendo-se na Universidade Sénior de Oliveira do Hospital! *
«Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…»
Alberto Caeiro
*Instalações dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital
Paula Frade
Investigadora Instituto de Estudos de Literatura e Tradição – Universidade NOVA de Lisboa










