
Os livros são preciosidades, são amigos incomparáveis. São fontes de saber e sabedoria. A leitura transporta-nos a mundos inimagináveis. Prende-nos, mas liberta-nos de amarras preconcebidas.

“Analfabeto não é quem não sabe ler; verdadeiramente, é quem, sabendo ler, não lê”. E perde tanto quem o não faz!
Livros: uma realidade a que nos habituámos e que, por isso, quase se tornou banal. Perguntar-se-á: quando começaram a escrever-se? Sempre houve? Nós sabemos que na Pré-História não havia escrita, nem sempre houve papel, nem imprensa.
Os primeiros livros foram criados pelo povo sumério, quando este começou a escrever em tabletes de argila, por volta do ano 3.200 a.C. na Mesopotâmia, actual Iraque.
Epopeia ou Épico de Gilgamesh é um antigo poema épico da Mesopotâmia, uma das primeiras obras conhecidas da literatura mundial. Acredita-se que a sua origem sejam diversas lendas e poemas sumérios sobre o mitológico deus-herói Gilgamesh, que foram reunidos e compilados no século VII a.C. pelo rei Assurbanípal. A Epopeia de Gilgamesh é um grande poema, que é constituído por doze placas de escrita cuneiforme, cada uma contendo 300 versos ou mais.
Por volta de 3000 a.C., os egípcios inventaram o papiro. Depois, vieram os pergaminhos feitos de couro curtido de bovinos, bem mais resistentes. Finalmente, o papel seria inventado na China 105 anos depois de Cristo (d.C.), por T’sai Lun.
Depois, começaram a ser manuscritos, sobretudo nos conventos, pelos monges copistas.
O primeiro livro do mundo impresso no formato que conhecemos hoje, foi possível a partir das tecnologias de tipos móveis desenvolvidas por Johannes Gutenberg. Os tipos móveis eram peças reutilizáveis para impressão em massa que permitiam a replicação de um mesmo livro impresso por meio do uso de uma máquina de imprensa. A primeira obra escolhida para esse tipo de impressão foi a Bíblia, em Latim. O livro tinha 641 páginas e começou a ser produzido em 23 de Fevereiro de 1455. No entanto, a finalização da impressão só aconteceu depois de cinco anos.
Em Portugal, recorrendo à nova “tecnologia”, foi impresso o Pentateuco (os cinco primeiros livros do Velho Testamento) em 1487. Trata-se de uma obra em hebraico, impressa por Samuel Gacon, impressor algarvio de origem judaica, em Faro.
A Câmara Municipal de Chaves festejou no mês de Abril passado os 530 anos do Sacramental, o primeiro livro de língua portuguesa impresso em Portugal, no dia 18 de Abril de 1488, em Chaves.
Passaram séculos e, de evolução em evolução, chegámos aos livros de hoje. Hoje, podemos ler e-books, já que a Internet nos tem aberto muitas portas. Também tem fechado outras.
Por isso, quando se fala de livros, fala-se da entrada num mundo mágico, onde os sentidos se satisfazem. Todos eles: é preciso ver, cheirar, tactear, degustar aquelas palavras que, mesmo caladas, se fazem ouvir.
Vivam, vivendo os livros!
Lucinda Maria