Vila Franca da Beira inaugurou “Parque do Rossio” nas comemorações dos 28 anos de criação da freguesia.
A extinta Junta de Freguesia teve a ideia e concebeu o projeto, visando transformar um aglomerado de casas em ruínas, junto ao Jardim do Rossio, num parque de lazer, com espaço para as crianças brincarem. Mas a concretização da obra decorreu sob a égide da União de Freguesias de Vila Franca e Ervedal da Beira. Sábado, com a bênção farta de S. Pedro, a obra foi inaugurada. «Uma obra da união, da solidariedade e do compromisso», como sublinhou Carlos Carvalheira, presidente da Assembleia de Freguesia. «Que seja uma marca da união entre todos nós», disse ainda.
Antes, Paula Lameiras, afamada queijeira de Vila Franca, e representante da freguesia na União de Freguesias, sublinhou a importância da obra, cuja concretização, confessou, foi encarada com ceticismo por muito habitantes locais. Recordou as insistentes abordagens aos presidentes da Câmara e da União de Freguesias para o avançar da obra, «que está feita e muito bonita».
Carlos Maia, presidente da União de Freguesias, recordou esse processo, sublinhando a «excelente ideia» do anterior executivo de Vila Franca e o «compromisso» assumido após a união das duas freguesias. «Dissemos que a obra era para ser feita neste mandato, era um compromisso assumido e aqui está o compromisso concretizado». «Vila Franca e as pessoas de Vila Franca merecem», adiantou o autarca local, que recordou os 28 anos de criação da freguesia, lembrando algumas das personalidades que se empenharam nesse processo. Uma palavra para recordar Viriato Coelho, numa homenagem póstuma ao membro da anterior Assembleia de Freguesia, que a morte levou demasiado cedo. Carlos Maia disse ainda que terça-feira vai ser lançado o concurso para substituir o piso de alcatrão, degradado, em três ruas da vila, que em «junho/julho começam a ser calcetadas a granito».
Recordando que a obra «foi combinada com a Junta de Freguesia anterior», o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital confessou que o então autarca, João Dinis, lhe apresentou o projeto. «Achei que não ia ficar nada de jeito, mas hoje fiquei surpreendido com a boa recuperação do espaço», disse José Carlos Alexandrino, lembrando o compromisso que assumiu, em 2013, de pagar a obra, que representa um custo de 63.676 euros.
O presidente da Câmara deixou ainda um duplo desafio à União de Freguesias de Vila Franca e Ervedal da Beira, no sentido de «encontrar um local digno para colocar o brasão» e um outro espaço onde seja “gravado” um poema de Manuel Dinis (pai de João Dinis, exímio músico e inspirado poeta, já falecido). Alexandrino pediu toda a colaboração, no sentido de «cumprir» a sua «palavra» e a «promessa» que fez ao autor, de “gravar” este poema e o nome de Manuel Dinis, “escrito a cinzel”.
Doações, aquisições e uma permuta
As negociações para adquirir as casas em ruínas, pertencentes a 12 proprietários, não foram tarefa fácil. João Dinis, anterior presidente da Junta de Vila Franca da Beira, recorda que o processo começou em 2009 e só em 2013 o «terreno ficou todo disponível». Pelo meio, muitas negociações, a doação das famílias de António e de Juvenal Loureiro, ambos já falecidos, uma permuta «com o proprietário de um curral da burra» e algumas aquisições. A todos o antigo autarca agradeceu, registando, igualmente, e agradecendo, o «compromisso assumido e cumprido» pela Câmara Municipal com a Junta de Vila Franca.
Alzira Frade concebeu o projeto de requalificação urbanística, que faz uma clara aposta na pedra, granito recuperado das casas em ruínas, no verde das árvores, nas plantas e na água. Aos escuteiros da terra coube colorir a cerca do parque infantil.













