A Junta de Freguesia de Meruge denunciou uma nova situação de poluição grave no Rio Cobral, acusando fábricas de queijo da zona da Catraia de S. Romão/Carragosela, no concelho de Seia, de efetuarem descargas contínuas de efluentes para o curso de água.
Em comunicado divulgado esta quinta-feira (21), a autarquia fala num “crime continuado e impune” e garante que os episódios de poluição têm vindo a intensificar-se, apesar das sucessivas denúncias às entidades competentes.
“A água corre branca da cor do leite, os maus cheiros em toda a zona ribeirinha são insuportáveis”, refere a Junta, descrevendo ainda uma acumulação de espuma e lodos ao longo do rio. Segundo o documento, o cenário agravou-se devido à descida do caudal e às temperaturas elevadas registadas nos últimos dias.
O presidente da Junta de Freguesia de Meruge, João Abreu, critica a falta de eficácia das autoridades ambientais, sublinhando que já foram feitas “mais de uma centena” de participações formais à APA, SEPNA, Inspeção do Ambiente e outras entidades.
“É uma frustração absoluta para as populações e para a Junta”, lê-se no comunicado, que acusa o Estado de não conseguir travar “os poluidores contumazes”.
A autarquia reclama agora medidas imediatas, incluindo a suspensão das licenças de descarga atribuídas às unidades fabris e um maior controlo das emissões de efluentes. Entre as propostas apresentadas está também a criação de uma ETAR coletiva dedicada ao tratamento de resíduos da indústria leiteira.
“O Estado Português não pode ser forte com os fracos e fraco com os fortes”, afirma a Junta, defendendo maior proteção para “a saúde e o bem-estar” das populações ribeirinhas.
A denúncia voltou a ser comunicada às autoridades ambientais e policiais.














