A participação ativa das comunidades no desenvolvimento do seus territórios promove exponencialmente a autonomia local.
A participação das comunidades no desenvolvimento dos territórios e na preservação das tradições é um elemento essencial para a construção de sociedades mais sustentáveis, inclusivas e resilientes. Uma participação ativa permite às pessoas que habitam um território contribuir para promover um progresso que respeite as suas necessidades, valores culturais e modos de vida.
O desenvolvimento dos territórios é um processo complexo que envolve aspetos económicos, sociais, culturais e ambientais e as comunidades locais desempenham um papel crucial nesse contexto, pois conhecem melhor do que ninguém as particularidades do seu ambiente, os recursos disponíveis, os desafios enfrentados e as oportunidades que podem ser aprofundadas.
A participação ativa das comunidades no desenvolvimento do seus territórios promove exponencialmente a autonomia local. O cidadão comum, que somos todos nós, tem a responsabilidade de contribuir com ideias e conhecimento, tornando-se protagonista do desenvolvimento da sua região, o que certamente contribuirá para uma maior coesão social e a um fortalecimento da identidade local.
A população local tende a ter um conhecimento mais profundo sobre o meio ambiente e os recursos naturais da região, o que pode contribuir para a criação de práticas de uso e gestão em outras áreas de enorme relevância, como a preservação do meio ambiente que garantirão o uso sustentável dos recursos, cujos benefícios se sentirão no futuro da comunidade.
A preservação das tradições culturais é, igualmente, importante e está, também ela, intimamente ligada ao desenvolvimento dos territórios. As tradições são expressões vivas da cultura e identidade de um povo e desempenham um papel fundamental na coesão social, na produção de riqueza, na transmissão de conhecimentos e valores, e na continuidade de práticas que foram passadas de geração em geração. E neste âmbito não poderia deixar de referir as festas, religiosas ou não que, sobretudo, neste tempo de verão animam as nossas terras. Homenagem seja feita às comissões de festas, cujos mordomos e mordomas asseguram, ano após ano, a realização de eventos tão importantes para a cultura do nosso país.
A participação das comunidades na preservação das suas tradições promove a valorização da cultura local, mas assegura também uma outra questão, não menos importante, o convívio e a aproximação dos que cá estão aos que regressam às suas terras , trazendo na bagagem muitas saudades e abraços para distribuir.
A manutenção das festas tradicionais, é essencial para salvaguardar a música, a gastronomia, o artesanato, fatores únicos de cada região. A preservação dessas práticas mantém viva a herança cultural, mas também fortalece a identidade e o orgulho comunitário.
A preservação das tradições tem ainda um outro lado, o impacto positivo causado diretamente no desenvolvimento económico local, como acontece com o turismo cultural. Comunidades que mantêm vivas as suas tradições e compartilham as suas práticas culturais com quem os visita tornam-se mais atrativas aos olhos dos turistas, cada vez mais interessados em experiências autênticas, e promovem o desenvolvimento económico sustentável, proporcionando, desta forma, condições de trabalho ou oportunidades de negócio que poderão contribuir para fixar no território um ou outro jovem que de outra forma poderia ter de se deslocar para fora da sua terra.
As tradições e a sua transmissão envolvem conhecimentos e práticas que são fundamentais para a sobrevivência e o bem-estar das comunidades. A participação ativa das comunidades na preservação dessas tradições assegura que esses conhecimentos sejam transmitidos às novas gerações, garantindo a continuidade de práticas agrícolas, artesanais, entre outras e o fortalecimento das comunidades. A valorização das tradições é um caminho essencial para o desenvolvimento de territórios mais justos e integrados, e isso, também, é da nossa responsabilidade, nós que somos os cidadãos comuns.
Paula Frade
Investigadora Instituto de Estudos de Literatura e Tradição – Universidade NOVA de Lisboa










