O Tempo vive um tempo de impiedade crescente, extrema.
O Tempo quente cada vez queima mais.
O Tempo frio inunda, encharca-nos a vida, gela e congela.
Com o tempo assim e um Tempo assim, tudo se complica.
Enfrentar este Tempo nu é lixado!
Dito de forma mais extrema, é angustiante, desesperante e de consequências imprevisíveis (sem luz e sem água!!!), que pode até terminar com a perda da própria vida (já morreram dez pessoas).
Portugal vai nu por estes dias. E não é de agora. E o nu de Portugal “veste” o país inteiro. Norte, Sul, Interior e Litoral – uma tristeza. Veja-se o que se está a passar em Leiria, para mencionar apenas um exemplo.
Portugal vai nu e falta quase tudo: prevenção, preparação, planeamento, meios e capacidade de gestão e de execução.
A execução é mãe da prova da verdade e esse é um dos maiores problemas de Portugal, Executar!
A esmagadora maioria das pessoas que ocupam o poder da decisão em Portugal, chegam às suas “cadeiras de sonho” (?) sem terem sido testados na vida do dia-a-dia, sem terem sido obrigados a resolver situações complexas que impliquem sobrevivência e/ou prosperidade.
Há dias e a este propósito Paulo Fidalgo, ex-jornalista, escreveu o seguinte:
“O perfil consensual de um ministro em Portugal é o professor universitário sem brilho especial, eventualmente doutorado num saber clássico ou marginal, sem iniciativa empresarial digna desse nome e com um rendimento médio histórico que é inferior à remuneração ministerial.
Além de lhe faltar um saber específico que constitua um património de credibilidade e competência, falta-lhe também o saber social próprio de quem tem anos a virar frangos…Basta ver e ouvir quem nos governa para perceber que, genericamente, há ali uma mistura potencialmente catastrófica de falta de mundo, falta de conhecimento e falta de esperteza para governar os interesses que todos os dias confrontam o Estado.” Fim de citação.
Portugal vai nu e este Tempo não perdoa.
Apesar dos milhões de euros gastos e que chegaram da Europa, apesar de alguns bons momentos de sorte que nos vão safando, apesar de tantos planos de soluções apresentados, a natureza deste Tempo é o relâmpago que nos ilumina a dura realidade: cada um de nós, perante a desgraça, está entregue a si próprio.
Tudo é impressionante. Revoltante.
Ninguém é responsável pelos resultados ou pela falta deles. Revoltante.
Todos, ou quase, assumem tudo isto como inevitável. Não há zangados, há cansados, que choram, resignam-se e continuam. Impressionante.
Escutar responsáveis locais a gritar com os responsáveis do poder central é patético. Revoltante.
No após, ver a reação das pessoas a reerguer-se e a solidariedade de muitos na prestação de ajuda, emociona. Impressionante.
Os cientistas não se cansam de avisar: o clima não vai melhorar, o Tempo não vai facilitar.
Para que Portugal seja menos revoltante e menos impressionante, precisamos de outra tipologia de Pessoas a gerir o poder de execução, melhor compensadas e sob uma exigência de resultados consequente.
Ou mudamos, ou entregamos “isto” aos “novos salvadores”, quais ditadores do nosso destino. Sem surpresa.
E se o momento for, como disse a infeliz Senhora da Administração Interna: “de aprendizagem colectiva”, o melhor é Portugal “vestir-se”!
“Vestidos” podemos não assegurar a salvação, mas enfrentar este Tempo nu…é perigoso, dói, humilha e é triste, muito triste – Ai Portugal, Portugal.
Vitor Neves, gestor
