Emoções. Factos. Opiniões.

Há um facto inequívoco. Perdemos um grande deputado de Oliveira do Hospital na Assembleia da República, José Carlos Alexandrino, que por vontade própria não quis continuar. E que saiu como um dos grandes vencedores da luta pelo IC6, que mais uma vez é um Governo Socialista a deixar adjudicado para execução. Oxalá não pare com o próximo governo…

O estranho caso das eleições de 10 de março. Os factos são mesmo estranhos. O nome de um primeiro ministro é invocado numa comunicação, de uma entidade que deve ser o pilar do estado de direito da república, mas que o próprio ministério público acredita não ter indícios de nada… e não é caso único. Mas há um Presidente da República que corrobora a tese, e diria eu, numa espécie de emoção revanchista contra o primeiro ministro que lhe fez frente, mas que até o tinha ajudado a eleger, deita abaixo um Governo de maioria absoluta. Independentemente das opiniões, a verdade é que os Portugueses democraticamente elegeram um governo para 4 anos, que tinha todas as condições, e opções, para ainda assim terminar o seu mandato. Mas estranhamente não quiseram um país com as contas certas, com a maior redução de dívida de sempre, pasme-se até, com aqueles números estranhos das agências de rating a elogiarem. Estranhamente não quiseram um país em que tinha o maior número de pessoas empregadas de sempre, com uma segurança social sustentável que garantia as nossas reformas, em que houve o maior aumento de sempre nos salários mais baixos, nos médios e nas pensões… em que os jovens recém licenciados receberam um apoio igual às propinas para iniciar a sua vida profissional e tinham apoios para uma melhor habitação. Existiam problemas? Claro que sim. Um país em que enfrentámos problemas graves na saúde… não há que esconder. Mas foi essa saúde que permitiu que Portugal fosse um exemplo no combate e gestão da pandemia Covid, mas é essa mesma saúde que não consegue fixar os médicos, que os grandes grupos privados até conseguem. Sim, onde a educação necessitava de reformas de futuro. Sim, onde os professores precisavam de ver a sua profissão valorizada e a sua carreira reposta, assim como as forças de segurança, e as outras carreiras… de forma faseada e equilibrada. Mas num país em que a oposição só passava a imagem do caos, apesar de tudo, vimos o turismo interno e externo, a restauração, nos melhores valores de sempre. São os factos, que no final do dia, até demonstram que o país estava a ser bem governado, com estabilidade, e que deixou meios e dinheiro para quem vier a seguir fazer flores. E pronto, chegados aqui, lá fizemos umas eleições, que todos sabiam à partida que o resultado seria instavelmente estranho.

O estranho caso dos resultados eleitorais de 10 de março. Facto é que na vitória e na derrota, é sempre a democracia que ganha e os portugueses têm sempre razão, ainda que não coincida com a nossa opção pessoal. Mas há resultados (in)esperados. Os que por protesto, por saturação das políticas e dos partidos, conquistaram 18% dos votos na extrema direita. E não serão todas e todos xenófobos, ou anti-imigração, extremistas ou até com passado político duvidoso. Os partidos da moderação têm que refletir, saber perceber, saber ouvir e saber reconquistar a confiança das pessoas, em especial dos jovens, que em determinada fase da vida democrática, se revoltam contra tudo e são bombardeados apenas com o que querem ouvir. Mas sim, haverá muitos eleitos que não terão perfil para apoiar ou estar na governação… mas isso já é um problema da direita, que a direita tem de resolver. Não é Não! Até o sim ser a única forma de poder… assim será?

O estranho resultado da AD no 10 de março. A Aliança de 2, emendo, eram 3 partidos, foi levada em ombros por tudo e por todos. Foi constrangedor ter comentadores maioritariamente de direita a fazer campanha diária na TV. Sondagens empoladas sempre para o mesmo lado. O facto é que se não fossem os votos e deputados do CDS, e não fosse uma coisa estranha que é na Madeira nem sequer existir AD, este PSD teria perdido as eleições. O PS, contra as várias alianças, contra tudo e contra todos, também perdeu. Ainda assim o resultado da esquerda foi maioritário em relação à chamada direita “do Não é Não ao Chega”. O PS soube assumir o resultado, com responsabilidade, e deu um sinal claro de que é o tempo de o PS liderar a oposição, com firmeza e espírito construtivo. E saber agora apresentar e negociar as suas propostas na Educação, na recuperação do tempo dos professores, na valorização das carreiras da função publica, na Saúde, na Justiça e na Habitação, com o governo da AD, é um sinal de confiança para o futuro, assim a AD o entenda e o prefira à instabilidade de governar nas mãos da extrema direita.

Em Oliveira do Hospital, os factos não são diferentes dos resultados nacionais. Percebemos claramente que o PSD sozinho teria perdido as eleições, e que o CDS não está a aproveitar os que nele votam, para marcar o seu próprio projeto político local, o que pode explicar uma estranha euforia com os resultados no lado do PSD, ao contrário do silêncio envergonhado do CDS. Há um facto inequívoco. Perdemos um grande deputado de Oliveira do Hospital na Assembleia da República, José Carlos Alexandrino, que por vontade própria não quis continuar. E que saiu como um dos grandes vencedores da luta pelo IC6, que mais uma vez é um Governo Socialista a deixar adjudicado para execução. Oxalá não pare com o próximo governo… E os candidatos de Oliveira do Hospital que integravam as listas da AD, não conseguiram ser eleitos e não obtiveram os resultados que esperariam por cá. Independentemente das nossas opções, seria sempre melhor ter alguém da nossa terra por lá…

O estranho caso das eleições na região de Coimbra também mostrou claramente que não há previsões, ilações ou euforias antecipadas para as próximas eleições autárquicas, em cada um dos concelhos, e que todas as análises futuristas, optimistas ou pessimistas, são como as sondagens… dão para todos os gostos e no fim quem ganha é a vontade do povo.

Obrigado pela paciência. Venham, descubram e desfrutem da maior Festa do Queijo de Portugal.

Daniel Dinis Costa

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