Emoções. Factos. Opiniões

Atacar pessoas, atacar bens, são tiques oriundos de outros países e de outras lutas, que infelizmente começam a ter eco, e que urge rapidamente responsabilizar, e não aceitar como naturais.

Sou um convicto defensor do Estado Social como garante da igualdade de direitos, garantias e acesso das pessoas aos pilares básicos de uma sociedade justa, livre e responsável. Tenho como exemplos todas e todos os que diariamente exercem de forma livre os seus direitos de cidadania, cumprindo da mesma forma livre os seus deveres.

É um facto que vivemos tempos conturbados na Educação, pilar de base da nossa sociedade. As escolas estão saturadas. Os alunos estão saturados. Os professores estão fartos. E não se resume apenas e só a uma justa reivindicação de professores, cujas opiniões estão cada vez mais extremadas. É já uma questão de teimosia de um governo que, pela sua ideologia social, sempre foi e deverá continuar a ser um aliado dos professores. Não acredito que não seja possível encontrar soluções que, não sendo as ideais, criem confiança numa classe que nunca virou a cara ao país. Mas Infelizmente temos hoje uma Educação focada nas emoções erradas, nas opiniões extremadas, que não são certamente a imagem da grande maioria dos Professores. Porque há hoje todo um conjunto de situações que condicionam a escola pública e que são relegados para outros factos. A excessiva carga burocrática das Escolas. A excessiva carga horária dos alunos e professores. A excessiva benevolência das avaliações. A excessiva perda de autoridade nas Escolas. A excessiva falta de reformas curriculares ajustadas à alteração dos tempos. E tantos outros excessivos adiamentos do futuro da educação, que urge discutir, mas sobretudo executar. E que darei opinião mais resolutiva em próximos artigos… É que as emoções dos pais, dos alunos e da comunidade, devem ser sentidas por quem governa, para mantermos vivo o estado social da Educação. E todos temos responsabilidade no Estado Social.

É um facto que vivemos tempos conturbados na Saúde. Uma das principais conquistas da democracia, o SNS, é hoje alvo de grande instabilidade. Rapidamente nos esquecemos do trabalho extraordinário feito durante o COVID, onde todos se juntaram para dar saúde às pessoas. Governo. Profissionais. População. E ninguém duvida da capacidade de salvar vidas que o SNS tem, e que mais ninguém tem. Mas as emoções ficam difíceis de gerir, quando toca à nossa saúde e dos nossos. As emoções ficam difíceis quando percebemos que investimos na formação de médicos, que depois escapam ao SNS. A falta de médicos, a falta de acordos com os governos, a desconfiança, a falta de gestão estável, já duram há demasiado tempo para a nossa saúde. Este é um problema nacional, que nos afeta de forma direta localmente e que gera opiniões extremadas, mas que não nos resolvem o problema. Com melhor acordo, com pior acordo, este é um estado social que não podemos perder, sob pena de perdermos muitas emoções. E todos temos responsabilidade no Estado Social.

É um facto que vivemos tempos conturbados na Habitação. Que se reflectem, e de que forma, na vida diária de muitas famílias. É preocupante o consecutivo aumento nas taxas de juro que vêm agora alterar todos os planos de pagamentos de empréstimos à habitação. Com a inaceitável insensibilidade social do banco Central Europeu, num tempo em que os Bancos têm lucros excessivos, à custa das pessoas. Mas também é um facto que as pessoas pagam preços altamente especulativos para terem uma habitação, especialmente nas grandes cidades, fruto da liberalização sem regras do mercado imobiliário, que fez e continua a fazer muitos ricos. E os menos ricos, os mais vulneráveis, estão com a emoção à flor da pele, para arranjar uns m2 de espaço, onde possam viver condignamente. Este é o T0 do estado social da habitação. E todos temos responsabilidade no Estado Social.

E depois as emoções perdem o controlo. É um facto que vivemos hoje um crescimento acentuado dos extremismos, populismos e fundamentalismos ideológicos. Basta olhar para as opiniões e ações extremadas, por exemplo dos ativistas ambientais, que em defesa de uma causa que até une muitas pessoas, provocam emoções adversas, que lhes retiram toda a razão. Atacar pessoas, atacar bens, são tiques oriundos de outros países e de outras lutas, que infelizmente começam a ter eco, e que urge rapidamente responsabilizar, e não aceitar como naturais. Um dia destes, as emoções transbordam e temos uma sociedade sem estado social, apenas com direitos e sem deveres. E isso tem um nome. Que nem quero lembrar.

Obrigado pela paciência e Boa leitura.

Daniel Dinis Costa

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