O gerente de um restaurante indiano na cidade de Oliveira do Hospital, Ganga Singh, diz ser vitima de perseguição e ameaças constantes por parte do dirigente local do Chega, João Rogério Silva, que entretanto já terá apresentado a demissão do lugar, na sequência das notícias vindas público, esta semana, sobre o caso de alegadas agressões e ameaças a um adversário interno.
Há dois anos a residir e com negócio próprio na cidade oliveirense, o empresário já apresentou várias queixas na GNR contra o dirigente do Chega, por perseguição, ameaças à integridade física e mesmo violência. “Todos os dias essa pessoa me diz « tu não podes estar aqui, tu não podes abrir um restaurante aqui, não gosto, sai daqui de Portugal, depois fala «i kill you, i kill you»”, denuncia ao nosso jornal, no dia em que foi conhecida a acusação do Ministério Público ao agora ex dirigente, por danos e ameaças “agravadas” a um opositor interno.
Ganga Singh conta que o caso já se arrasta há quase de dois anos e é do conhecimento de muitos moradores do prédio e vizinhos do restaurante que funcionou até ao verão passado, paredes meias com o apartamento onde vivia o líder partidário.
Uma antiga funcionária e amiga de Ganga que aceitou falar ao Folha do Centro conta que João Rogério “persegue” os donos do Restaurante “Milani” sem estes lhe fazerem “nada”. “Ele faz terror psicológico com eles por serem estrangeiros” sustenta a mulher, que prefere não se identificar por temer represálias a ela e à família.“ Ele faz ameaças inclusivamente às pessoas que são amigas deles”, garante, indignada com o “terror” que estes estrangeiros têm vivido em Oliveira do Hospital, por conta do ex vizinho.
O restaurante entretanto mudou-se para o outro lado da rua, mas João Rogério continua a “provocar” os donos, segundo a amiga, que aproveita as noticias vindas a público sobre a acusação ao dirigente local, para denunciar também aquilo que diz ser uma situação conhecida de muitos oliveirenses. “Aqui toda a gente sabe o que ele faz aos indianos sem eles nunca lhe fazerem mal e há muita gente que se ofereceu para testemunhar em tribunal se fosse preciso”, relata, condenando as ameaças “constantes” de que os amigos têm sido alvo.
“Ele todos os dia diz : vou-te pôr fora daqui, porque eu trabalho no Chega. Tu és indiano não podes estar aqui” conta Ganga Singh, cansado das provocações do dirigente. E lembra que está há vários anos em Portugal a trabalhar, com negócio aberto e nunca teve problemas com ninguém. O indiano garante, aliás, não ter razões de queixa da cidade e dos oliveirenses que são “5 estrelas”, lamentando apenas o comportamento deste homem que faz questão de mostrar o “cartão” do Chega com o objetivo de os “aterrorizar”, relata.
Líder local do Chega nega acusações e diz que a vitima é ele e a mulher
Contactado pelo nosso jornal, João Rogério, nega as acusações do dono do restaurante indiano e garante que eles só fazem estas afirmações porque “os deixou de ajudar”. “Eu era amigo deles, era eu que os transportava para o restaurante de manhã e à noite , mas não era criado deles e a partir daí começaram a tratar-me mal a mim e à minha esposa”, garante o dirigente demissionário do Chega, negando também as referências ao partido e às ameaças para saírem do país.
“Eu nunca fui racista, nem xenófobo, tenho amigos paquistaneses, afegãos, brasileiros a quem emprestei dinheiro e que são meus amigos e minhas testemunhas”, assegura, dizendo que a “colagem” ao Chega é “só para dizerem que é um partido racista”. João Rogério adianta também já ter apresentado queixa na GNR contra os indianos, por violência, porque se “há alguém que foi agredido foi a minha mulher”, diz. “Isto é ridículo que nunca os persegui, eles é que se metem comigo e com a minha esposa porque eu deixei de os ajudar”, afirma, dizendo mesmo que eles têm a “cobertura” da GNR local. Quanto ao Chega , “eles é que falam no Chega, não sou eu” que “nem sabia como era a política”, mas só “acredita nesta versão o jornalixo”, defende.













