A chegada de componentes de uma torre eólica ao Campus de Inovação e Tecnologia da BLC3, em Lagares da Beira, provocou esta quinta-feira (11) um clima de preocupação e agitação entre a população local. A movimentação de camiões de grande porte durante a madrugada e ao longo da manhã levou muitos moradores a recearem a instalação de uma estrutura destinada à produção de energia eólica junto à zona habitacional.
Perante o alarme, o presidente da Junta de Freguesia de Lagares da Beira, João Neves, procurou esclarecer a situação, garantindo que os elementos transportados para as instalações da BLC3 não serão colocados em funcionamento.
“Trata-se de componentes de uma eólica, mas não será instalada na vertical nem ficará a trabalhar. Segundo as informações que recebi da administração da BLC3, este material destina-se a um projeto de investigação e desenvolvimento”, afirmou o autarca ao Folha do Centro.
Segundo João Neves, após os primeiros contactos da população, foram realizadas diligências junto do Conselho de Administração da BLC3 e do Município de Oliveira do Hospital. O autarca assegura que não existe qualquer pedido de licenciamento para instalação de uma torre eólica no local.
“Foi verificado junto do município que não existe qualquer licença ou processo para a instalação deste tipo de equipamento. Além disso, não existem fundações, alicerces ou qualquer preparação no terreno que permitisse a sua montagem”, explicou.
O caso mobilizou vários residentes e levou mesmo à presença da GNR no local. Alguns habitantes admitiram ter ponderado formas de protesto caso se confirmasse a instalação da estrutura.
Foi o caso de António Lopes, morador junto ao campus da BLC3, que descreveu o ambiente vivido durante a manhã. “Quando vimos os camiões carregados e percebemos que eram componentes de uma eólica, instalou-se o pânico. Ninguém sabia de nada. Contactámos a junta, a câmara e a GNR. Ficámos preocupados com a possibilidade de colocarem uma estrutura destas tão perto das habitações”, contou.
O residente considera que a situação poderia ter sido evitada com uma comunicação prévia à população. “Se tivesse havido um aviso ou um esclarecimento antecipado, as pessoas não teriam passado por este estado de ansiedade. Houve vizinhos muito nervosos com tudo isto”, afirmou.
Apesar das explicações entretanto prestadas, António Lopes admite que parte da população continua a aguardar mais informações sobre o projeto que a BLC3 pretende desenvolver com os componentes agora armazenados.
João Neves garante, contudo, que a freguesia continuará a acompanhar o processo. “A população pode estar tranquila. Não existe qualquer instalação autorizada para funcionar neste local e estaremos atentos a qualquer desenvolvimento futuro”, assegurou.
À Rádio Boa Nova, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, esclareceu que, de acordo com os serviços municipais, não existe qualquer processo de licenciamento, comunicação prévia ou autorização relacionada com a eventual instalação de uma turbina eólica naquele local.
O autarca adiantou que, após denuncia de populares, foi realizada uma ação de fiscalização ao local não tendo sido identificados trabalhos de implantação, abertura de valas, fundações ou qualquer tipo de obra de instalação. Referiu ainda que, no local, se encontram apenas peças e componentes associados a um equipamento eólico, situação que poderá estar relacionada com testes ou ensaios de equipamento, não havendo, para já, indícios de produção de energia ou funcionamento.
O município sublinha que não existe matéria que permita, nesta fase, a abertura de autos ou qualquer atuação sancionatória, embora reconheça a preocupação gerada entre a população, classificando-a como um “alarme social” compreensível, garantindo que a situação continuará a ser acompanhada.
Ao final do dia, o ambiente em Lagares da Beira era já de maior serenidade, depois dos esclarecimentos prestados pela junta de freguesia e pelo município.














