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A (in)sensibilidade dos nossos dias

Autor: Folha do Centro
18/04/2015
in Opinião
A (in)sensibilidade dos nossos dias
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Percebamos, realmente, que o capitalismo selvagem é tão letal para o ser humano como o mais primário comunismo e que a competição a que impelimos os nossos jovens para ser “alguém”, só faz ganhar os piores!

“Que horror”! “Pobre gente”! “O que devem ter sofrido”! São comentários que nos suscita, por exemplo, a notícia do massacre de estudantes universitários no Quénia, que vemos e ouvimos num qualquer jornal de televisão. De qualquer modo, nada que nos tire o apetite para a sobremesa. Olha a quem! A nós, que já vimos guerras em directo, degolações em deferido e fome infantil em tempo real.

Às vezes, vamos mais longe na emoção, quando o assunto é inimaginavelmente atroz e mais próximo, e nos arranca algumas “lágrimas nos olhos” e sincero incómodo!

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Mas oferecem-nos mais futebol, telenovela e comentário balofo sobre tudo quanto há ou virá a existir, e a aflição fica bem mais atenuada!

Passamos como “cão por vinha vindimada” ao lado de toda a sorte de miséria, desde o pedinte à prostituta. Nada nem ninguém ou, pelo menos, quase nada nos faz desviar do nosso caminho. Isso acontece só mesmo para fugirmos ao indesejável.

Por vezes, tendemos a participar em acções de solidariedade social, o que acontece se nos trouxer vantagem ou formos tocados por alguma máquina eficaz de marketing.

Que raio de gente afinal somos nós ou em que espécie de monstrinhos nos tornamos?!

A falta de solidariedade generalizada e o egoísmo super arreigado, são realidades explicadas por diversas perspectivas. Desde a manipulação das massas, até à maldade intrínseca da espécie humana, passando pela traumatizante educação de cada um, existem teorias sobre a origem do fenómeno.

Em cada serviço religioso de qualquer religião, em qualquer comício de qualquer partido ou comentário televisivo de qualquer “cor”, o assunto é tratado, de uma forma ou de outra! Comum a todas as prelecções, apenas a crítica a todos quantos não comunguem com as “verdades” ditas por cada um. Antes de mais, um esclarecimento: estas “mal alinhavadas” linhas não pretendem fazer parte do manancial ideológico de tais gurus e, muito menos, têm pretensões a cura de tão grave e tragicamente consequente mal da humanidade.

Apenas uma reflexãozinha ou um modesto contributozinho: que tal educarmos melhor os nossos filhos?

Tão importante quanto ensinar a manusear o garfo é explicar o que são, porquê e para quê, existem direitos humanos, ou seja, aqueles que nos obrigam (ou deviam obrigar) a tratar uma humilde dona de casa, o porteiro de uma multinacional e um analfabeto, com o mesmo respeito que votamos a um poderoso banqueiro.

Tão importante quanto lavar os dentes é saber que praticar violência é cobardia e que apropriar o que não nos pertence é sinal de menoridade.

Tão importante quanto utilizar o tablet é perceber que a cor da pele e a inclinação sexual são apenas meros sinais distintivo entre indivíduos, sem necessidade de qualquer outra justificação.

De caminho, percebamos, realmente, que o capitalismo selvagem é tão letal para o ser humano como o mais primário comunismo e que a competição a que impelimos os nossos jovens para ser “alguém”, só faz ganhar os piores!

O que é que nos falta ver mais para arrepiar caminho e nos colocarmos no lugar que nos compete?

Maria José Falcão de Brito

Tags: Falcão de BritoMaria José Falcão de Brito
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