Doentes esperaram mais de nove horas para serem atendidos nas urgências.
O serviço de urgências do Centro de Saúde de Oliveira do Hospital esteve, ontem, mais uma vez mergulhado no “caos”.
Vários utentes relataram ao nosso jornal, terem esperado mais de nove horas por uma consulta, o que ultrapassa todos os “limites” de espera neste serviço, levando alguns pacientes a optarem por se deslocar ao serviço de urgências de Arganil e também ao vizinho Hospital de Seia.
“Estou aqui desde as nove e meia da manhã e estou sem comer, em jejum praticamente, mas já estou com ideia de abandonar a consulta, e ver se encontro o médico de família no consultório, nem trouxe dinheiro nem nada mas já nem me importo”, conta Irene Pestana, visivelmente desesperada com o atendimento no Centro de Saúde, já que à medida que as horas passavam parecia ter as mesmas pessoas à sua “frente”.
Inconformada com o tempo de espera que ontem se acentuava nas urgências, estava também uma jovem mãe, que se encontrava na sala de espera desta unidade de saúde desde as nove horas da manhã, juntamente com outras mães com crianças de tenra idade. “Não sabemos o que se está a passar, dizem-nos que está aí um médico novo não sabemos quem é, o que sei é estou aqui desde manhã com o meu filho a vomitar e não posso sair daqui”, relata a utente que diz, ainda na semana passada, ter sido forçada a abandonar este serviço com a filha mais velha, e a recorrer a Arganil, com o objetivo de ser atendida mais rápido. “O que eles querem é que a gente se vá embora, como já não há médicos, assim também não tinham utentes e isto fechava mais rápido” concluem alguns dos pacientes que se encontravam na sala de espera do SAP, indignados com o que se está a passar neste serviço, sobretudo nas últimas semanas, onde é evidente a falta de médicos para dar cobertura aos mais de 23 mil utentes inscritos no Centro de Saúde oliveirense.
“Acho que isto é inadmissível, a sala estava cheia de gente quando chegámos e assim continua, acho esta falta de médicos inadmissível”, diz outro utente indignado, relatando que houve entretanto utentes que, saturados de tanta espera, decidiram recorrer a outros serviços de saúde em concelhos vizinhos. “ Se calhar é isso que eles querem é que a gente se vá embora para Centro de Saúde fechar mais rápido”, conclui António Bernardino, recusando-se a aceitar que um concelho como Oliveira esteja tão mal servido de médicos, numa altura, em que estes são mais necessários tendo em conta o maior afluxo de pessoas a estes serviços no tempo frio. “Isto não se compreende”, desabafa, desesperado de tanto esperar pelo diagnóstico da mulher que acompanhava desde as nove da manhã.
Queixas que se multiplicavam e que colhiam eco junto dos muitos utentes que se ontem se acumulavam na sala de espera do SAP, pois apesar de estarem habituados a esperar, classificavam de “vergonhoso” o tempo de espera a que têm de se sujeitar para ter uma consulta. “Quase de meia em meia hora ou mais é que chamam uma pessoa, e depois vêm as ambulâncias ainda pior, e as crianças têm desanimado: têm estado a vomitar e tudo, que eles até deviam atender estas crianças primeiro”, relata uma utente, também ela desanimada com o cenário que se vivia ontem no Centro de Saúde oliveirense.
Tendo em conta a escassez de médicos neste serviço de saúde, que ultimamente tem estado a funcionar com menos de metade dos profissionais que pertencem ao quadro, o que deixa parte significativa da população em risco de ficar sem assistência médica, o presidente da Câmara, José Carlos Alexandrino, tem agendada para esta terça-feira uma audiência com o presidente da ARSCentro, precisamente com o objetivo de encontrar soluções para o problema, nomeadamente a discussão de novos modelos de contratação de médicos para esta unidade de saúde.













