Presidente do Município de Oliveira do Hospital fez ontem um balanço de quatro meses de funcionamento desta nova resposta na área da saúde e volta a lamentar abandono total do Interior nesta área.
A funcionar desde o verão passado, a Unidade Móvel de Saúde chegou ontem a mais uma freguesia do concelho de Oliveira do Hospital. Lourosa foi o local de paragem desta viatura que se encontra no terreno há quatro meses, encontrando se já a prestar cuidados básicos de saúde às populações das freguesias de S. Gião e Aldeia das Dez.
No local esteve também o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital acompanhado dos seus vereadores, que puderam constatar a adesão da população a esta nova resposta que o Município encontrou para colmatar a falta de recursos médicos no concelho. “Tem havido um conjunto de populações mais periféricas que acabam por ficar abandonadas à sua própria sorte e qualquer autarca consciente não pode ficar indiferente e foi isso que fizemos”, referiu Alexandrino, lembrando que desde que começou a funcionar esta unidade já conta com mais de três mil atendimentos. “Aquilo que nós queremos é que em Oliveira do Hospital haja uma saúde para todos e uma saúde de qualidade” afirmou o edil para quem esta é assumidamente uma prioridade do seu executivo.
“Se calhar o Município não faz uma obra física mas ao subsidiar este serviço está a fazer a melhor obra que é uma obra pelas pessoas” considera lamentando que tenha de ser a autarquia a substituir se ao Estado na prestação de cuidados médicos às populações do seu concelho. “Tem havido um abandono total dos poderes centrais em relação ao interior” acusou ainda o autarca, ao mesmo tempo que desafia o novo governo para um projeto inovador na saúde em Oliveira do Hospital. Um concelho que chegou a ter há poucas semanas 16 mil utentes sem médico de família, num total de 25 mil inscritos, continuando a ter 12 mil pessoas sem médico.
O autarca recorda as dificuldades destes utentes no acesso à saúde, nomeadamente de muitos doentes crónicos que ultimamente têm vivido um verdadeiro “calvário” para conseguir uma receita ou uma consulta. “Isto é uma coisa dramática”, afirmou o edil, fazendo notar que a maioria destes utentes é idoso ou está fragilizado. “O ideal é que esta unidade móvel tivesse um médico e é isso que mais tarde ou mais cedo terá de acontecer”, garante Alexandrino, sem perder a esperança num novo modelo de prestação de cuidados de saúde no concelho.
Satisfeito com a chegada da Unidade Móvel à sua freguesia estava o presidente da Junta, Américo Figueiredo, que realçou a importância deste serviço de proximidade numa freguesia que perdeu o seu posto médico há mais de seis anos e nunca mais reabriu. “É uma coisa muito boa para uma população que está idosa, que não tem transportes para Oliveira e muitas vezes vão e estão lá o dia todo (no centro de saúde de Oliveira) para ter uma consulta ou uma receita e não conseguem nada”, constatou o autarca, congratulando -se com a entrada em funcionamento desta unidade, que vai a partir de agora percorrer as 10 localidades da freguesia num total de mais de 500 habitantes.













