O concelho de Oliveira do Hospital regista uma evolução muito favorável da pandemia nas últimas semanas, registando a 24 de fevereiro, o número de casos diários de “um”.
“Estamos abaixo do nível laranja, podemos dizer que já não há transmissão comunitária”, refere em declarações ao Folha do Centro, o matemático oliveirense, Carlos Antunes, que faz parte do grupo de trabalho que está a monitorizar a evolução da pandemia de Sars-Cov2, juntamente com outros especialistas que influenciam a tomada de medidas pelo Governo.
Apesar do controle rápido da pandemia no concelho e no país, Carlos Antunes ainda é muito prudente no que diz respeito ao desconfinamento que deverá começar a verificar-se nas próximas semanas. “Seria uma imprudência não olharmos para a saúde, a taxa de ocupação hospitalar ainda é muito elevada”, nota o especialista, que é favorável a uma abertura “light” do país, já a partir de meados de março, nomeadamente com a abertura do pré escolar e 1º ciclo, primeiramente, mas com “recursos dados às próprias escolas”.
“Temos de definir semáforos e por enquanto estamos num verde tingido de vermelho, pela ocupação hospitalar ser ainda muito elevada”, garante, prevendo que no final deste mês o país já possa finalmente respirar de alívio, neste setor. Até lá, “temos de nos manter confinados, temos de fazer um esforço adicional para controlar ainda mais os contágios”, alerta, preocupado com as novas variantes do vírus, na medida em que já são responsáveis por mais de 50% das infeções (variante inglesa). “Com um desconfinamento descontrolado iria acentuar-se a incidência”, refere o especialista, lembrando que as novas variantes têm uma grande capacidade de se adaptar e de se tornarem dominantes” e como tal, “é preciso desconfinar com muita cautela”.
“Este é um «novo normal» a que temos de nos habituar a viver, temos de retomar a actividade económica, mas não nos podemos afastar dos cuidados que vínhamos tendo”, alerta o matemático, que aproveita para esclarecer os mais céticos e até os críticos das suas análises que não defende a todo o custo o encerramento das escolas.
“Esta foi uma bazuca que teve de ser usada numa situação excecional, porque perdemos o controlo da pandemia, se isso tivesse sido tido em conta no inicio de janeiro, o impacto não teria sido o que foi, isto é como nos incêndios, se não atacamos à nascença, o fogo fica descontrolado”, diz, lembrando que “o risco não é só a probabilidade de uma criança ficar infetada, mas o dano que essa infeção pode causar a uma serie de pessoas que a rodeiam, é a soma desses danos que tem de ser avaliada”.
Carlos Antunes apela por isso a que se mantenham “todos os cuidados de proteção individual” neste desconfinamento “gradual” que vai acontecer a partir de meados deste mês, de forma a “chegarmos ao final de março numa situação confortável” no país e também no concelho oliveirense, que de acordo com os último balanço divulgado pela autarquia, registava apenas 17 casos ativos, mantendo o número de óbitos nos 30.













