Presidente da Junta de Freguesia de Meruge, Aníbal Correia, não tem dúvidas que a Feira do Porco e do Enchido é hoje um dos mais importantes cartazes de animação do concelho de Oliveira do Hospital.
Este é um certame que chega este ano à 12ª edição. Que balanço é que faz desta feira?
O balanço é altamente positivo. Nós quando começámos, tentámos logo criar uma marca, uma referência e temos vindo sempre a trabalhar no sentido de ano após ano ir melhorando aquilo que está menos bem. De ano para ano, a feira tem vindo a crescer, mesmo quando andamos a fazer a publicidade, notamos que as pessoas já sabem que no segundo fim de semana de novembro é a feira do porco e do enchido. Depois há aspetos, como a gastronomia, que já são uma imagem de marca da feira, como é o arroz de suã, que é falado por todo o lado e os nossos enchidos.
Em que medida é que esta feira contribuiu para o ressurgimento de uma atividade – ligada ao comércio e transformação da carne de porco – que estava em vias de extinção na freguesia?
Penso que esta feira contribuiu muito para a renovação desta atividade e se reparáramos aqui à volta, ninguém falava em fumeiro tradicional e depois de termos iniciado este certame, surgiram aí algumas empresas ligadas a este setor e que hoje até são empresas com alguma dimensão. Penso que essas pessoas viram aqui uma oportunidade de negócio e que, provavelmente se não fosse a feira do porco e do enchido não teriam essa iniciativa.
Ainda se pode dizer que Meruge é hoje uma terra de porqueiros?
Ainda há algumas pessoas que se dedicam à venda da carne de porco, é evidente que com as novas exigências e com as regras que foram impostas aos negociantes deste tipo de produto, que muitos tiveram que abandonar a atividade e partir para outro tipo de vida. Mas os que ficaram estão mais sólidos, criaram outras condições e modernizaram-se.
A feira ao longo dos anos tem atingido os objetivos em termos de público e de projeção dos produtos endógenos, nomeadamente o enchido, ou ainda há espaço para crescer?
Há sempre margem para crescer. Nós, de ano para ano, vamos tentando sempre melhorar num aspeto ou outro. Penso que esta feira já atingiu um nível bastante razoável mas há possibilidades de progredir. Para isso, nós tentamos criar aqui algum estímulo, alguma novidade, para tentar aguçar o apetite às pessoas para virem até à feira. Temos o concurso de doçaria que já vai no 10º ano, o ano passado lançámos o desafio fotográfico, este ano vamos lançar a mascote, e isso a nível nacional está a mexer um pouco, porque houve algumas rádios com dimensão nacional que estão a lançar o desafio aos ouvintes para atribuírem um nome à mascote, portanto tudo isto são aspetos que vamos introduzindo para tentar criar alguma dinâmica e atrair mais visitantes.
O lançamento de uma mascote faz parte da estratégia de promoção do evento?
É evidente. Todos os anos nos preocupamos em trazer algumas novidades, alguma coisa que chame à atenção. Este ano avançámos com a mascote, e portanto no domingo quem vier a Meruge já vai ver aí a mascote a passear-se pelo recinto da feira, que é um porquinho. Ainda não tem nome, só vai ter nome na sexta feira que é o dia em que vamos escolher, dentro das propostas do público, aquele que mais se adequa ao nosso porquinho(a). E no futuro quem sabe criar aqui uma linha de merchandising da feira em torno deste novo símbolo.
Este certame teve também o condão de recuperar alguma da gastronomia típica ligada a estes produtos, nomeadamente o arroz de suã, os torresmos. Acha que estas iguarias estão devidamente divulgadas?
Hoje já muitos restaurantes do concelho adotaram esse prato e já o têm nas suas ementas. Mas é evidente que é preciso divulga-lo ainda mais. Nós em tempos pensámos em criar uma confraria que promovesse e que defendesse esta iguaria e mesmo os enchidos, mas ainda não tivemos condições financeiras para o fazer. Mas é uma ideia que faz parte da nossa agenda e dos nossos objetivos no futuro. Mesmo os torresmos, fazem-se em muito lado, mas eu não conheço nenhuns como os de Meruge.
A feira do porco é hoje um dos principais cartazes de animação do concelho oliveirense. É possível levá-la ainda mais longe?
Nós já conseguimos trazer gente de outras paragens, pena é que os operadores turísticos do concelho, e porque atualmente também não temos uma hotelaria muito forte, não aproveitem este evento. Posso dizer que há um operador turístico no concelho vizinho de Seia que todos os anos traz excursões aqui à feira, é sinal que somos um produto turístico atrativo e com potencialidades para crescer, assim os empresários da região o saibam vender.
Tem-se falado também na importância da certificação dos produtos produzidos na freguesia e na criação de uma marca própria. Como é que está esse processo?
Esse é também um dos nossos objetivos desde o primeiro certame, mas ainda não conseguimos concretizá-lo. Embora a nossa ideia não é transformar isto numa indústria, nós vamos ser sempre uma pequena unidade de produção artesanal, que quer primar acima de tudo pela qualidade.
A lojinha dos produtos da terra, onde é possível adquirir algumas iguarias que são produzidas localmente tem funcionado? Não era vosso objetivo implantá-la num local mais visível, na cidade de Oliveira do Hospital …
O nosso objetivo é implantá-la num local mais visível, tanto mais que a Junta de Freguesia tem em mãos um projeto para o terreno que adquiriu ao lado da sede da Junta que é para construção da loja ao nível da estrada, para que as pessoas passem e esta tenha outra visibilidade. Em tempos também se falou em abrir um espaço em Oliveira onde nós pudéssemos vende os nossos produtos, neste momento temos ido ao mercado, participando todos os meses no mercado dos produtos da terra. O mercado estava um pouco apagado, vamos ver se com esta renovação como é que as coisas vão correr.













