Oliveira do Hospital recebeu, esta quarta feira, a visita do Secretário de Estado da Proteção Civil que se encontra a fazer um périplo pelos concelhos assolados pelos incêndios deste verão, nomedamente os que registaram mais área ardida.
Rui Rocha esteve reunido com o presidente do Município, José Francisco Rolo, e com as Associações Humanitárias dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital e Lagares da Beira, no novo Centro Municipal de Proteção Civil que considerou desde logo “um excelente exemplo” e a prova de que esta é uma “autarquia bem posicionada” em matéria de proteção civil. O governante aproveitou para reconhecer o trabalho ” inexcedível” dos corpos de bombeiros no combate aos grandes incêndios deste verão, considerando que “deram tudo de si”, “apesar de algumas criticas injustas”, disse numa declaração aos órgãos de comunicação social locais.
Um esforço que o Governo pretende agora ver compensado com “um conjunto de procedimentos que permitam, com a maior celeridade possivel, o ressarcimento das despesas extraordinárias com os incêndios”. “Já fizemos chegar aos cofres das associações mais de um milhão de euros até agora”, sublinhou, rejeitando, por enquanto, uma avaliação do ponto de vista operacional aos incêndios que assolaram a região no passado mês de agosto. “Não é tempo de fazer essa avaliação, o ano passado os incêndios criticos ocorreram em meados de setembro”, recordou, acreditando que “todas as decisões que foram tomadas com os recursos que estavam alocados ao teatro de operações” foram as possiveis, tendo em conta o “contexto critico” em que o país se encontrava, com vários fogos de grande dimensão ao mesmo tempo.
“Aquilo que o autarca José Francisco Rolo queria, era aquilo que eu queria quando fui autarca, era que de repente tivessemos todos os meios”, observou, numa resposta ao “grito” de desespero do autarca, que se tornou notícia a nível nacional. Porém, o governante entende que “com a simultaneadade de vários incêndios, o balanceamento normal de meios não é possivel”, pois ” nunca vai existir um carro de bombeiros para colocar ao lado de cada casa”, afirmou, acrescentando que o comando operacional nacional tem obrigação de olhar “para todo e não para o caso particular”.
“Se tem havido meios aéreos, não teríamos 4620 héctares de área ardida, teríamos muito menos” , afirma José Francisco Rolo
Quem não ficou convencido com as explicações do Secretário de Estado foi o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. A saudar como positiva a decisão de dar maior rapidez ao pagamento das despesas extraordinárias dos incêndios às corporações de bombeiros, José Francisco Rolo não evitou, todavia, o tom critico ao Comando Operacional Nacional e às opções tomadas durante o combate ao incêndio de 14 e 15 de agosto, no seu concelho. “Há coisas que não correram bem, não é à toa que ardem 4620 héctares no concelho” , afirmou aos jornalistas, no final do encontro com o membro do governo, onde fez questão de salientar “alguns aspectos negativos como o fogo foi gerido”.
Sublinhou que os bombeiros locais e dos concelhos vizinhos “que conhecem e se movimentam bem no terreno” deram “o seu melhor”, mas lamenta que tenha sido preciso “chegar ao extremo” para chegarem os meios aéreos, quando o fogo já ameaçava a malha urbana de Alvoco das Várzeas e galgar a EN230.
“Foi preciso um grito de alerta com a contundência que é conhecida e o que é que aconteceu? apareceram meios” observou o autarca que, cerca de um mês depois do incêndio que atingiu o concelho de Oliveira do Hospital, e oito freguesias em particular, não tem dúvidas em afirmar que “se tem havido uma correta gestão dos meios aéreos, não teríamos 4620 héctares de área ardida, teríamos muito menos”.














