Em 2017, quando parecia estar tudo perdido com o grande incêndio de 15 de outubro, Verónica Fonseca não baixou os braços. O pai, António Fonseca, falecido em 2015, tinha-lhe deixado “os alicerces” para continuar a obra que era a empresa de família – a Fonseca & Fonseca, fundada em 1981.
Passaram apenas dois anos entre a perda do pai, prestigiado empresário, e a perda de parte significativa da empresa com o fogo. Mas, Verónica Fonseca manteve-se firme às adversidades que abalaram a estrutura da empresa. Nesse período, a engenheira civil reagiu com resiliência, como agora se diz, mas que é a expressão que melhor encaixa no espírito de muitos oliveirenses que viram na tragédia uma oportunidade.
Com mais de 40 anos de experiência no setor da construção civil e obras públicas 2017 significou também para a Fonseca & Fonseca um “virar de página”. A construtora, agora na segunda geração, reergueu-se, modernizou os seus estaleiros e maquinaria, inovou procedimentos e continuou a ganhar obras e projetos na região. E em 2024 faz mesmo “história”, no seu já longo portefólio, com a conclusão da maior obra pública de sempre no concelho de Oliveira do Hospital: o novo Campus Educativo da cidade, cujo investimento ascende a seis milhões e quinhentos mil euros.
“Para mim e para a empresa foi um orgulho podermos contribuir para o concelho com uma obra desta dimensão que realmente ficou fantástica e completamente adaptada aos novos tempos”, refere a engenheira civil considerando toda a empreitada “um grande desafio a nível técnico e financeiro”. “Foi a maior obra de sempre na história da Fonseca & Fonseca, o que muito nos orgulha”, regista ainda a empresária que privilegiou também as empresas do concelho e da região nas diversas subempreitadas. “Claro que nós sozinhos não conseguíamos fazer uma obra daquelas, envolvemos muitas, muitas empresas locais, trabalhámos com quase toda a gente”, garante, congratulando-se pelo facto de “todos terem contribuído um bocadinho para o novo campus escolar”.
Com um vasto currículo de obras públicas e particulares na região já sob a sua liderança, Verónica Fonseca não deixa de “observar” que ser mulher, neste setor, é ainda algo que é visto com “desconfiança”. “As pessoas questionam mais”, diz, garantindo que “quando as coisas correm bem é bom para provarmos que somos capazes”.

Com provas dadas nos vários projetos que tem liderado na região, Verónica Fonseca, que conta com o apoio da irmã, arquiteta, Teresa Fonseca, garante que a experiência herdada do pai deu-lhe as bases necessárias para manter a empresa como referência no setor, tendo conseguido entretanto dar-lhe o seu cunho pessoal e colocá-la mais à sua “imagem”.
“Lembro-me de ter crescido a ouvir o meu pai dizer esta obra fomos nós que fizemos, aquela fomos nós, foi assim”, recorda, entendendo que o setor vive hoje desafios diferentes que precisam de respostas diferentes. Um dos maiores, segundo a empresária, é mesmo a mão de obra que é cada vez mais escassa e que no futuro pode empurrar a construção civil mais convencional para novas soluções modulares. “Há obras em que isso é impossível, mas há outras que será como montar um lego”, antevê, agora ao leme da conhecida empresa de construção civil oliveirense, cuja faturação ultrapassou, em 2023, os dois milhões e quinhentos mil euros.
Margarida Prata














