Museu do Azeite assinalou dois anos de atividade com olhos postos no futuro

Empresário pediu mais apoio à promoção do empreendimento. Vice Presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, deixou a garantia de estar a trabalhar novos canais de comunicação para projetar este museu, único em Portugal.

O Museu do Azeite, na Bobadela, comemorou ontem dois anos de existência.
Inaugurado em Março de 2019 com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e da atual Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, este complexo museológico, propriedade do empresário e olivicultor, António Dias, assinalou a data com o convite a várias personalidades ligadas à promoção do museu e do turismo na região, que marcaram presença numa conferência on line, para falar sobre o empreendimento e o impacto deste na oferta cultural, gastronómica e turística do Município de Oliveira do Hospital e da região.
Moderado pela filha do empresário, e grande impulsionadora do projeto, Alexandra Dias começou por dar voz ao pai que lembrou os objetivos de “promoção do conhecimento, valorização e preservação do ouro liquido” que estão na origem deste Museu.
“O primeiro ano correspondeu às nossas expectativas, recebemos 13 mil visitas ( 20% estrangeiros) entre grupos, eventos especiais, e o feed-back tem sido muito positivo”, recordou António Dias, que não escondeu, porém, as dificuldades que advieram, um ano depois, com a pandemia. “Vieram tempos de incerteza e apesar do verão ter trazido muita procura, não foi aquela que desejaríamos”, referiu o conhecido produtor de azeite que acredita na recuperação destes números, logo que o país regresse à “normalidade”. Enquanto isso não acontece, pede mais apoio à promoção do complexo para o “podermos levar mais longe e a mais pessoas”.
Perante o apelo deixado pelo promotor do Museu do Azeite, o vice presidente da Câmara de Oliveira do Hospital e vereador com o pelouro do Turismo, José Francisco Rolo, garantiu estar a trabalhar, no âmbito da Rede das Aldeias de Montanha, a que também preside, em novos canais de comunicação para promover o complexo museológico da Bobadela.
“Queremos catapultar e fazer deste Museu do Azeite a porta de entrada na rede das Aldeias de Montanha, que une nove municípios e 41 freguesias, de Oliveira do Hospital até ao Fundão”, afirmou Francisco Rolo, que quer “posicionar” o Museu do Azeite na oferta turística de referência, e para isso nada melhor do que ser a “porta de entrada” nesta rede, sustentou. Acreditando que o futuro deste museu “único em Portugal, na Península Ibérica e até na Europa” vai ser feito de “crescimento” e de “aumento da procura”, o autarca louvou, de resto, a iniciativa dos seus promotores de “no contexto em que vivemos” de promoverem este evento para comemorar os dois anos deste equipamento cultural e importante “espaço de memória dedicado ao azeite”.

Um espaço com tendência a crescer em visitantes

“O Museu do Azeite é luz” afirmou, julgando que este investimento privado não é só o repositório de inúmeros objetos e artefatos recolhidos ao longo dos anos, como representa “o esforço de um homem que deixa para memória futura um legado, uma marca forte, um espaço de excelência”. “Este santuário dedicado ao azeite é fruto do esforço, da persistência e do investimento deste homem (António Dias)”, reforçou ainda o vice presidente da Câmara Municipal, partilhando da opinião de que quem vai ao Museu do Azeite “gosta de tudo o quê”.
“É um espaço ótimo para desfrutar do ponto de vista familiar, é um espaço interativo que a uns atualiza a memória e ajuda outros a receberem saberes ancestrais e é um espaço de educação, educa para uma alimentação saudável”, apontou o autarca que não tem dúvidas que pelos vários “espaços que comporta”, o Museu do Azeite “é um espaço que tem tendência a crescer em termos de visitantes e de retomar a procura que estava a ter”.
Na impossibilidade de estar presente, o presidente do Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, pediu a José Francisco Rolo que transmitisse à família Dias o “reconhecimento” do TCP por este “espaço museológico de referência” na região Centro de Portugal, dizendo contar com este “importante pólo de atração turística” na estratégia de promoção desta região.
Presentes nesta webinar comemorativa do segundo aniversário do Museu do Azeite, na Bobadela, estiveram ainda Pedro Carvalho, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e autor do livro “O Azeite e a Oliveira ao Longo do Tempo” que enalteceu o esforço dos promotores deste projeto que, apesar dos tempos difíceis que tem atravessado neste último ano, “tem condições para continuar a ser um sucesso”. “Quem vai ao Museu do Azeite gosta daquilo que vê”, referiu o docente que colaborou na montagem deste espaço museológico. E considerou mesmo a Bobadela “um exemplo a seguir”, atendendo ao investimento público e privado que representa.
A conferência on line ficou ainda marcada pelas intervenções da nutricionista Paula Ângelo, que falou da importância do azeite numa alimentação saudável e de Olga Cavaleiro, presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas que trouxe vários exemplos de doçaria típica da Beira Interior confecionada à base de azeite.
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