Morreu, esta sexta-feira (2), António da Costa. Carinhosamente conhecido como “Sr. Costa”, o grande nome do voluntariado e das causas públicas partiu aos 83 anos.
Foi dirigente de várias instituições de Oliveira do Hospital, entre as quais a ARCIAL e figura incontornável da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
Natural de Nogueira do Cravo, António da Costa nasceu a 30 de abril de 1942. Construiu um percurso de vida marcado pela resiliência, empreendedorismo e forte sentido de solidariedade. Frequentou a escola primária de Gramaços, mas aos 14 anos partiu para Lisboa, determinado, como o próprio costumava dizer, a procurar uma vida melhor.
Na capital iniciou-se no trabalho numa pastelaria com fabrico próprio, enfrentando várias dificuldades nos primeiros tempos. Apesar das insistências da mãe para regressar à terra natal, mantinha-se firme na decisão de só voltar a Oliveira do Hospital quando sentisse que tinha vencido na vida. Aos 21 anos ingressou no serviço militar e, após passar por vários quartéis, foi mobilizado para a guerra do Ultramar em Moçambique, país onde viria mais tarde a estabelecer-se.
Depois do 25 de Abril, regressou a Portugal em 1976, novamente num contexto difícil. Ainda assim, graças ao seu espírito empreendedor, conseguiu nesse mesmo ano afirmar-se em Lisboa no ramo da restauração, atividade que manteve até atingir a idade da reforma. Trabalhou no Sporting Clube de Portugal e, no seu restaurante, o Grã-Via, apoiou e alimentou muitos jovens atletas que chegavam às escolas de formação do clube.
No Feriado Municipal de Oliveira do Hospital de 2023 foi agraciado coma Medalhada de Mérito Municipal.
Apesar de viver fora durante décadas, nunca perdeu a ligação a Oliveira do Hospital. Foi um dos fundadores do Núcleo do Sporting local e é reconhecido como o principal impulsionador da ida do futebolista Carlos Martins para as escolas de formação do clube, tendo inclusive acolhido o jovem atleta na sua própria casa, em Lisboa.
Há cerca de 12 anos regressou definitivamente a Oliveira do Hospital, onde passou a dedicar-se de forma intensa à vida associativa. Integra a direção da ARCIAL e o Grupo de Voluntariado Comunitário de Oliveira do Hospital da Liga Portuguesa Contra o Cancro, desenvolvendo um trabalho de voluntariado amplamente reconhecido pela comunidade.
Assumindo-se como um verdadeiro cuidador informal, antes da pandemia da Covid-19 visitava diariamente os utentes acamados do hospital e do lar da Fundação Aurélio Amaro Diniz, levando-lhes pequenos presentes e, sobretudo, atenção e carinho.
Grupo de Voluntariado Comunitário (GVC) da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) de Oliveira do Hospital manifesta profundo pesar
Luísa Miranda, coordenadora do GVC, recorreu às redes sociais para lamentar a perda do “ser humano único” e do “amigo sempre presente em tudo o que eram causas solidárias e sempre disponível para ajudar os outros e sempre preocupado em fazer o bem”.
“Lamentamos profundamente a sua perda e deixa-nos profundamente consternados. Bem haja querido voluntário e grande amigo pelo exemplo partilhado”, escreveu.
ARCIAL despede-se de “uma pessoa rara e verdadeiramente especial”
Com profundo pesar, a ARCIAL despede-se “de uma pessoa rara e verdadeiramente especial”. Na sua página de facebook, a direção destaca o “seu exemplo de generosidade, compromisso e amor ao próximo” que “marcou vidas e deixou uma contribuição imensurável para a sociedade”
“Foi um ser humano extraordinário, cuja presença inspirava e cujo legado continuará vivo em cada gesto de solidariedade que ajudou a construir. Na ARCIAL, associação da qual fez parte por tantos anos, a sua presença foi essencial. O seu empenho, dedicação e espírito solidário ajudaram a fortalecer a missão da instituição e inspiraram todos que com ele conviveram. Um Homem sempre de braços abertos, com um sorriso e com uma palavra de conforto, que todos os utentes conheciam e gostavam de ver pela ARCIAL (“quem te deu o chocolate?” – “Foi o Sr. Costa!”, diziam todos contentes)”.
“Partiu precocemente um homem bom, um homem de bem, que tanta gente ajudou com a sua generosidade e humanismo”
“Paixão, empenho e sentido de missão à causa leonina”
É “com profundo pesar que a família Sportinguista de Oliveira do Hospital lamenta o falecimento de um dos seus fundadores e maiores impulsionadores da massa associativa local”.
Nas redes sociais, o Núcleo sportinguista de Oliveira do Hospital frisa que “o longo da sua vida, dedicou-se com paixão, empenho e sentido de missão à causa leonina, sendo uma referência incontornável na união, dinamização e crescimento do Sportinguismo em Oliveira do Hospital”.
“O seu contributo foi decisivo para fortalecer laços, criar espírito de pertença e transmitir, geração após geração, os valores do Sporting Clube de Portugal.
A sua ausência deixa um vazio imenso, mas o seu legado permanecerá vivo na memória de todos os Sportinguistas que com ele partilharam esta caminhada”.













