A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital celebrou, no passado domingo (22).
As comemorações incluíram a bênção de um novo veículo, promoções e condecorações. Foram atribuídas várias distinções, incluindo o prémio Manuel dos Santos Gouveia Serra ao bombeiro de 2.ª Bruno Santos. Foram também reconhecidos Amadeu Santos, Nuno Moura e Marco Brito com medalhas de Assiduidade de 25 anos de Bons e Efetivos Serviços.
Para além de celebrar a vitalidade da corporação, a sessão solene serviu para expor os desafios que o setor enfrenta atualmente.
Na sua intervenção, o comandante Emídio Camacho evocou a história da instituição, sublinhando que “mais de um século de história não se constrói sem dedicação e sacrifício”. Agradeceu a “determinação, coragem e espírito de entrega” dos bombeiros que são “a alma desta casa”. Na ocasião, Camacho alertou para a dificuldade em atrair voluntários, defendendo “incentivos locais para captar e fixar novos elementos”.
O presidente da Direção, Arménio Tavares, deixou um aviso sério quanto à sustentabilidade financeira, referindo que “a tesouraria dos corpos de bombeiros portugueses está seriamente ameaçada de colapsar”. Apontou a crise energética como responsável por um aumento mensal de despesas “na ordem dos 1.800 euros”, sobretudo devido ao preço dos combustíveis. “Num corpo de bombeiros, um dos pilares fundamentais é a área das comunicações”, afirmou, referindo o investimento recente em “dois sistemas via satélite, um fixo e outro móvel”, aos quais se juntou “uma unidade Starlink” disponibilizada pelo município, além de “96 Equipamentos de Proteção Individual”.
Também a presidente da Assembleia Geral, Adelaide Freixinho, elogiou o trabalho contínuo da corporação, destacando que esta se mantém “365 dias por ano ao serviço da população, com entrega e resiliência”.
Em representação da Proteção Civil distrital, o segundo comandante Nuno Seixas recordou a sua ligação à corporação e destacou a exigência da missão. “Ser bombeiro não é só vestir uma farda. É servir, ajudar, mesmo quando custa, mesmo quando dói”, afirmou. Garantiu ainda apoio institucional, assegurando que “podem contar com o Comando Sub-Regional de Coimbra”.
Já Luís Sousa, presidente da Federação Distrital, alertou para o aumento dos custos operacionais, considerando que “estamos a viver um momento extremamente difícil”. Defendeu medidas como a “indexação dos apoios à variação do combustível” e alertou para atrasos em pagamentos e questões relacionadas com reformas.
Por sua vez, Luís Gil Barreiros, em representação da Liga dos Bombeiros, garantiu que lutará “sempre para que ninguém acabe com os bombeiros”, manifestando também desagrado com aspetos protocolares da cerimónia, que o levaram a abandonar o evento.
O presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo, reforçou o compromisso da autarquia, afirmando que o concelho é “dos que mais investe nos corpos de bombeiros”. Anunciou a intenção de “aumentar o subsídio anual”. Revelou ainda que está em preparação “um regulamento de incentivos ao voluntariado”, sublinhando que “os bombeiros voluntários são a verdadeira espinha dorsal da proteção civil”.
Nos discursos da cerimónia, foram várias as palavras dirigidas a Tó Guiherme, que foi recordado pela sua dedicação exemplar. O bombeiro, que ficou tetraplégico após um acidente em serviço e faleceu recentemente, foi descrito como um símbolo de “resiliência e compromisso com a comunidade”.













