Homem de 36 anos, trabalhador agrícola, “desentendeu-se” com emigrante. Primeiro furou-lhe os pneus. Depois incendiou-lhe a garagem
Diz o ditado que “a vingança serve-se fria”, mas neste caso foi “bem quente”, incendiária, mesmo. Falamos na detenção de um homem, residente em Seixas da Beira, que ateou fogo a uma garagem, destruindo duas máquinas e uma viatura de coleção por vingança.
Em causa está um homem de 36 anos, que trabalha “à jorna” na agricultura, contratado por quem precisa dos seus préstimos. Solteiro, vive sozinho e “tem dias” relativamente à vontade de trabalhar e ao relacionamento com a população. “Variações” ditadas consoante o maior ou menor consumo de álcool. De resto, o álcool terá ajudado a inflamar o “espírito vingativo” e a alimentar a “má disposição” que levou o suspeito a atear o fogo, na madrugada do passado dia 16, em Seixas da Beira.
Um dos últimos “patrões” para quem o suspeito trabalhou foi precisamente a vítima, de acordo com fonte da Diretoria do Centro da Polícia Judiciária (PJ), responsável pela investigação, e as “razões” para o mal-estar e para o desejo de vingança serão várias, qual delas a mais rocambolesca. Com efeito, o suspeito terá pedido à vítima – há muitos anos emigrada no Luxemburgo e que recentemente regressou a Seixas da Beira, de onde é natural, embora vá frequentemente àquele país – dinheiro para comprar um maço de tabaco. O homem entendeu não lhe dar o dinheiro, o que o deixou de mau humor.
Todavia, o pior aconteceu quando ouviu uma conversa, num dos cafés da localidade, onde a vítima se referia a “alguém” que andaria por ali «apenas para “levar” dinheiro às pessoas, sem trabalhar». Convicto que era sobre si que o “patrão” falava, uma vez que tinha andado a trabalhar “a dias” para ele, empenhou-se em “ajustar contas”. E assim foi.
Primeiro, ainda durante o dia, deslocou-se à casa onde vive o emigrante, entrou na garagem e, de uma assentada, furou-lhe os pneus do carro. Mas não se ficou por aqui. Com efeito, de acordo com fonte da PJ, voltou ao “ataque”, já depois de uns “copos bem bebidos”. Já passava da uma da madrugada quando o suspeito se voltou a dirigir à garagem. Juntou um pedaço de caruma, colocou-o num «amontoado de lenha existente na garagem» e, com «um isqueiro», ateou o fogo.
O resultado foi devastador, tendo ardido, segundo a PJ, «duas máquinas de mudar e calibrar pneus e uma viatura de coleção», um Volkswagen antigo. Um prejuízo que ronda os «15 mil euros», adianta aquela polícia de investigação, alertando para a situação de «perigo» em que ficaram as habitações, da vítima e da vizinhança. Felizmente, um alerta célere e um combate eficaz evitaram que o pior acontecesse.
Detido na quarta-feira ao final da tarde pelos investigadores da PJ, o suspeito – que já esteve preso, há alguns anos, alegadamente pelo crime de incêndio florestal, de acordo com a população local – foi presente ao Tribunal de Instrução Criminal de Coimbra, para primeiro interrogatório e aplicação das medidas de coação consideradas convenientes. Por ordem do juiz está em prisão preventiva.
Manuela Ventura












