População revoltada por ter de andar a “pagar” para ter assistência médica.
Os populares de Lagares da Beira concentraram-se ontem em frente à extensão de saúde da vila para protestarem contra a falta de médico de família, neste posto médico.
A situação arrasta-se há cerca de um ano e, esta terça-feira, a população decidiu mostrar, na rua, a sua revolta contra aquilo que classifica de “vergonhoso” e “miserável” estado da saúde na freguesia. “Uma terra tão grande que tem cá tanta gente é uma miséria não ter médico”, gritava uma utente, lembrando que isto nunca tinha acontecido durante um período tão prolongado de tempo, obrigando as pessoas a terem de pagar para ter uma consulta no privado ou irem a Coimbra, aos Hospitais da Universidade, onde as deslocações para consultas também são pagas, quer os utentes optem por ir de ambulância quer vão de transportes públicos.
“Sou o mais velho que aqui estou desta gente toda que aqui está, com 91 anos, e nunca supôs que chegássemos a esta vergonha, nunca cá houve falta de médico”, adiantava outro utente igualmente indignado, lembrando que “há muita gente que não tem meios para se deslocar com facilidade a outros locais” para receber cuidados médicos porque “as reformas são muito pequenas e as pessoas para pagarem as consultas e os remédios, o dinheiro não chega para tudo”, observa.
Para o idoso que nunca se lembra de uma “vergonha” destas em Lagares da Beira, esta situação é tanto mais grave na medida em que a extensão de saúde abrangia cerca de dois mil utentes, muitos deles idosos com parcos recursos e muitos doentes crónicos, nomeadamente diabéticos que ficaram sem consulta de um dia para o outro. “A última consulta que cá houve da diabetes foi dia 26 de maio do ano passado, e desde aí que ando a tomar os mesmos comprimidos, também não posso ir a Oliveira a toda a hora pagar transporte, porque a gente aqui também não tem transporte a toda as horas, temos duas vezes por dia”, reclama outra utente da extensão de saúde de Lagares da Beira, cujas queixas eram repetidas pelas dezenas de populares que ontem se concentraram em frente ao posto médico para reclamar o médico de família que perderam há cerca de um ano e nunca mais voltaram a recuperar.












