Esta M…. já ardeu muitas vezes. Ardeu outra vez. Voltará a arder outra vez, outra vez.
Serras, montes e vales, do Piodão a Aldeia das Dez…ardeu tudo! No altar mor do Colcurinho, a capela resistiu, qual testemunha no cume de uma paisagem negra, preta. A cidade de Oliveira do Hospital sentiu, de novo, o calor do fogo mesmo à porta…e transpirou com o pesadelo de Outubro de 17.
Como escreveu José Vasco de Campos, na sua página nas redes sociais, foi “a 4a vez na nossa vida” que o fogo engoliu o nosso lugar no mundo: 1987, 2005, 2017, 2025. Triste, muito triste.
Esta M….. voltou a ser evidência inclemente de um país que não é inteiro, de um interior despovoado e abandonado, de uma gestão florestal errática e errada, de uma alocação de meios em que a prioridade vive perto do mar. Portugal também é isto: um país onde se cancela a festa de abril, porque morreu o Papa, mas não se cancela a festa algarvia do pontal, dos que estão no governo, quando “lá longe” tudo as chamas devoravam.
Triste, muito triste.
Esta M….. foi mais um post viral “je suis interior”.
Entendamo-nos. Eu sou de Oliveira do Hospital, é o meu lugar no mundo, a casa. Sou, por isso, do Interior, mas não sou o Interior. O Interior é quem lá está! Quem lá vive, quem lá faz a sua vida, quem lá ganha o pão, quem lá respira todos os dias, quem lá resiste, insiste…e não desiste.
Não é O Interior quem lá vai de vez quando, quem lá vai colaborar e ainda cobra pela “ajuda”, quem lá vai fazer fotos da catástrofe, quem é solidário no sofá das teclas de telemóvel, ou quem, exibindo o seu estatuto de figura pública nacional, faz declarações pungentes que somam “likes”, comemorados ao outro dia, a jantar no Sud, em Lisboa.
O Interior é a coragem dos que lá resistem e insistem, e são esses e só esses, que merecem a nossa vénia e merecem que o estado central cumpra a sua obrigação: cuidar, são Pessoas, são Portugal.













