Presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, garante que a “contenção” orçamental que impôs à edição deste ano da EXPOH não implica que o certame tenha menos atratividade, esperando igual número de visitantes do ano passado
Como é que justifica o “desinvestimento” na edição deste ano da EXPOH com a redução significativa do orçamento e do número de dias do certame?
O facto de fazermos uma feira mais económica sob o ponto de vista orçamental, não quer dizer, de modo algum, que há desinvestimento na EXPOH.
A EXPOH continua a ser, certamente, a maior feira do interior da região Centro, tanto ao nível de expositores como de visitantes. Esse é um objetivo de que não abdicaremos.
Na edição deste ano – deixe-me que lhe recorde que a EXPOH foi um compromisso político que assumi com os oliveirenses em 2009 e vai já na sua 6ª edição –, decidimos calendarizar a EXPOH para a primeira semana de agosto porque entendemos que é uma forma de também brindarmos os nossos emigrantes que habitualmente, nesta altura do ano, regressam à sua terra Natal.
Relativamente à redução do número de dias do certame, decidimos tomar essa opção porque nada é estático e entendemos que uma feira deste género não sai prejudicada por ter menos três ou quatro dias.
Respeito opiniões diferentes, respeito muito a opinião dos cidadãos, mas também tenho um enorme respeito pela sustentabilidade financeira do Município de Oliveira do Hospital, como tenho vindo a demonstrar.
Esta contenção orçamental tem alguma coisa a ver com as críticas dos seus adversários relativamente ao dinheiro que este executivo tem despendido em festas e eventos?
Sinceramente, o feedback que tenho, da grande maioria dos oliveirenses, é que Oliveira do Hospital tem hoje outra visibilidade e é uma cidade que está na moda, fruto de todo um conjunto de eventos que nos últimos anos nos deram uma grande projeção mediática a nível nacional e até internacional, que até é reconhecida por todas as forças políticas.
Críticas há e sempre houve, por isso apetece questionar quais os eventos que acham que a Câmara Municipal deveria deixar cair. Pergunte por exemplo aos setores da restauração e da hotelaria e, até mesmo à maioria dos oliveirenses, se querem que a Câmara Municipal acabe com aquela que é hoje a maior Festa do Queijo Serra da Estrela do País. Digam-nos, claramente, que são contra o apoio que damos à Feira do Porco e do Enchido de Meruge, à Feira Moçárabe de Lourosa, à Festa da Castanha de Aldeia das Dez ou à Feira do Pão e das Bolas de Seixo da Beira, por exemplo.
A verdade – por muito que isso incomode – é que os oliveirenses sabem que têm hoje, de Norte a Sul, um concelho muito dinâmico, cheio de vitalidade, e que é também com estas dinâmicas que se gera riqueza e alavanca a economia local e o turismo.
Por vezes também ouço dizer que há quem se mostre incomodado com a presença assídua da SIC, da TVI ou da RTP em Oliveira do Hospital. Devo-lhe dizer que, para além das questões de logística que temos que assegurar para este tipo de programas – como refeições e alojamento, por exemplo –, não pagamos um único euro para ter aqui as televisões com seis horas de emissão em direto para milhões de espectadores em Portugal e no mundo. E, como eu venho dizendo, ninguém vende o que não se mostra. Portanto, o que incomoda esses que apelida de adversários é o facto de Oliveira do Hospital estar com grande visibilidade.
Mais, pode ter a certeza que não me deixo condicionar por esse tipo de críticas de mero oportunismo político. Os oliveirenses têm inteligência mais do que suficiente para não se deixarem contaminar por aquilo que a política tem de pior – a crítica mesquinha e o bota-abaixo.
Afirmou na apresentação da edição deste ano da EXPOH que precisava de pelo menos 150 mil euros para poder dar o salto em termos de projeção desta feira. Porque é que não optou por fazer esse investimento este ano?
O que eu disse é que a EXPOH, para atingir outra projeção e para jogar noutra divisão, teria que investir muito mais do que aquilo que se investe, sobretudo no cartaz de espetáculos e no marketing. Mas nós não podemos ter a pretensão de querer competir com a EXPOFACIC ou com a Feira de S. Mateus, porque os contextos relacionados com a localização geográfica de cidades com muito mais população, como Cantanhede e Viseu, são totalmente diferentes e os investimentos feitos nessas feiras são superiores a um milhão de euros. É preciso perceber estas diferenças.
Mas deixe-me que lhe diga que a EXPOH deste ano, conforme o seu próprio jornal escreveu, tem como cabeça de cartaz o carismático José Cid, que é um artista que tem andado, com grande sucesso musical, pelos melhores palcos do país. É um músico nosso, com um espetáculo transversal a todos os públicos, e que ainda por cima veio a Oliveira do Hospital anunciar que, em data a combinar, dará um concerto de solidariedade, a custo zero, com as receitas de bilheteira a reverterem para as nossas duas corporações de Bombeiros Voluntários. Acredito que há quem prefira um Anselmo Ralph, mas o José Cid vai com certeza dar um grande concerto – só o Continente Bom Dia já nos comprou 1500 bilhetes para oferecer pelos seus clientes – e custa sensivelmente um terço do dinheiro do Anselmo Ralph.
No Sábado, dia 8 de agosto, vamos ter na EXPOH o concerto do Carlão que na véspera, por exemplo, está a atuar num dos principais palcos de verão do país – o MEO Sudoeste. Vamos repetir o êxito do Soltem Talentos, mantemos a “Expo Social”, envolvemos inúmeros grupos culturais e DJ´S concelhios nesta feira e, no último dia encerraremos, com o programa da SIC “Portugal em Festa” seguido de um concerto dos Função Públika.
Será este, realmente, um cartaz fraco? É certo que os gostos não se discutem, mas tenho a certeza que este cartaz, popular e atrativo, agradará com certeza à grande maioria dos oliveirenses.
Tem vindo a afirmar que esta ainda não é a feira com que sonhava para Oliveira do Hospital. Ainda não encontrou o modelo ideal?
Talvez não seja a feira com que sonhava porque sou sempre um Presidente de Câmara inconformado, que quer mais e melhor para o Município, mas esta é com certeza a maior feira de toda a região interior centro do País. Todos temos hoje a noção de que o evento mais bem conseguido em Oliveira do Hospital, sob todos os pontos de vista, é a Feira do Queijo Serra da Estrela. É um certame que, apesar de se realizar em apenas dois dias, tem um retorno muito superior à EXPOH e dá uma enorme projeção mediática a Oliveira do Hospital.
Quanto à EXPOH, que este ano vai ter as 16 Juntas de Freguesia do nosso concelho em exposição, vamos eventualmente ter que encontrar um modelo que, com inovação, nos permita por exemplo ter outra capacidade de atração de visitantes na região. Esse é o desafio que nos dá mais motivação.
O que é que podemos esperar deste certame no futuro?
Num passado recente, os meus antecessores acabaram com a Ficacol e Oliveira do Hospital era, à época, um marasmo. O nosso compromisso é manter a EXPOH, repensando-a na perspetiva de lhe dar cada vez mais projeção.
Como disse anteriormente, não nos passará pela cabeça competir com a Expofacic ou com a Feira de S. Mateus, por exemplo, mas trabalharemos sempre para que Oliveira do Hospital tenha uma feira que dignifique o Município e que orgulhe os oliveirenses, onde quer que eles residam.
Uma mostra como esta devia ter o tecido empresarial local, pelo menos o mais representativo, presente. Isso ainda não foi conseguido…
Nós temos que perceber que as nossas principais indústrias, como a de confeções por exemplo, não têm grande interesse comercial em estar presentes numa feira como a nossa porque, ao longo do ano, participam num conjunto de certames nacionais e internacionais que estão especificamente vocacionados para as suas áreas de negócio.
A EXPOH é uma feira regional com outra vocação e dimensionada para outro tipo de expositores. Cada feira no seu lugar. Ainda assim, acho que estamos todos de parabéns por, mesmo num contexto de crise económica e contenção financeira, termos uma EXPOH com cerca de 180 expositores
Quais são os objetivos para este ano em termos de visitantes?
Permita-me que lhe diga que esta nossa feira também é fundamentalmente um local de encontro e de convívio entre os oliveirenses e os nossos compatriotas que estão espalhados pelos quatro cantos do mundo. É uma feira muito dirigida para as famílias, com espaços de gastronomia e de lazer, e espetáculos culturais e musicais que vão decorrer em dois palcos.
Portanto, com todos estes ingredientes – e se o tempo ajudar –, esperamos atrair sensivelmente o mesmo número de visitantes do ano passado. Por isso, a mensagem é: sejam bem-vindos, divirtam-se e façam bons negócios na EXPOH.












