De saída da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, o deputado eleito há quatro anos pela Coligação PSD/CDS-PP, Miguel Mendes Clara, não poupou criticas ao próprio partido que o elegeu, na última reunião do mandato deste órgão autárquico, na passada terça feira (dia 30).
Um ciclo de quatro anos de “trabalho, debate e, sobretudo, de aprendizagem”, que segundo afirmou, encerra agora “por opção própria”, uma vez que não é candidato nas próximas eleições autárquicas. A fechar o ciclo político, o deputado fez questão de deixar alguns recados, sobretudo, para “dentro” da bancada do PSD, entendendo que “esta Assembleia Municipal perdeu demasiadas vezes, a sua voz crítica”. “Assistimos a sessões em que o debate foi substituído pela concordância automática, em que as decisões do Executivo foram validadas sem contraditório e sem a coragem de propor algo diferente”, afirmou, apontando o dedo à bancada da oposição por não ter conseguido fazer mais e melhor.
“Apoiar um Executivo não significa seguir-lhe as decisões de olhos fechados. Significa questionar, propor e melhorar. E foi precisamente essa atitude que, em muitas ocasiões, faltou nesta casa” observou, lamentando que “também o partido a que pertenço, e que deveria ter sido um farol de oposição firme, inteligente e construtiva, por vezes falhou”. “Falhou por falta de rumo, por falta de capacidade de debate, por se deixar prender num discurso vazio, centrado em desvalorizar o que o Executivo fazia, em vez de apresentar propostas concretas e soluções alternativas” criticou o deputado municipal, convicto de que “a oposição só é útil quando é capaz de erguer pontes, quando transforma a crítica em contributo”.
A agradecer “a forma cordial como, na generalidade fomos capazes de conduzir os trabalhos desta Assembleia” nomeadamente ao “Senhor Presidente da Câmara, ao Senhor Presidente da Assembleia Municipal e a todos os colegas Deputados, o trato respeitoso e institucional” mesmo “quando as opiniões divergiram”, Miguel Clara concluiu a sua intervenção a dizer que Oliveira do Hospital merece mais e merece, sobretudo, “políticos que pensem pela própria cabeça, que não tenham medo de discordar, que debatam com convicção , mas também com respeito”.
“Merece quem olhe para o futuro do concelho com ambição e não apenas com cálculo político. Faço votos sinceros de que quem vier a ser eleito tenha essa coragem: A de fazer mais e melhor, de colocar o interesse de todos os Oliveirenses acima de qualquer interesse partidário”, afirmou, avisando os pares de que “a política não é um palco para vaidades; é, ou deveria ser, um espaço de serviço público”.
A deixar claro que esta não é uma despedida da politica, mas apenas o “fecho de um ciclo”, o deputado eleito pelo PSD, deixou quase certo o seu regresso ao debate político “quando entender que posso contribuir novamente, só e apenas para fazer mais e melhor por Oliveira do Hospital e por todos”, terminando, por ora, o mandato “com orgulho”, “com humildade”, mas também com “esperança no que virá”.













