De regresso com as comemorações do 25 de Abril, o Município de Oliveira do Hospital encontra-se, este ano, a assinalar os 48 anos da revolução de forma ainda mais “efusiva”, com um extenso programa cultural e cívico que se prolonga até ao mês de maio.
Um dos pontos altos foi a sessão solene evocativa, esta segunda feira, no salão nobre dos Paços do Município que juntou as diferentes forças políticas com representação no concelho, que voltaram a lembrar as grandes conquistas de abril, mas também o muito que ainda há para fazer por “um país ainda com mais dignidade”.
O primeiro “balanço” foi do presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital e atual deputado da nação, José Carlos Alexandrino, para quem “ainda há muito trabalho a fazer para sermos um país ainda mais evoluído” e a uma só velocidade.
O ex presidente da Câmara e conhecida voz inconformada na defesa do interior referia-se às assimetrias que continuam a verificar-se entre as regiões do litoral e o interior, lamentando mesmo continuar a haver “dois países dentro do nosso próprio país”. Apontou ainda a demografia como um dos principais problemas do país” que prejudica os territórios de “baixa densidade”.
Emocionado por ser o “primeiro 25 de Abril” nas funções de presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo, começou por lembrar a forma “feliz” e “efusiva”com que o Município vem celebrando abril nos últimos anos, devolvendo ao espaço público o “gosto de viver a liberdade”. “É uma honra viver num concelho que celebra desde 2010, e sem reservas, o 25 de Abril”, fez notar o edil, que não escondeu o difícil desafio que o poder local enfrenta com o pacote da descentralização. “Preocupa-nos o risco de um garrote financeiro com o inicio do processo de transferência de competências em matéria de saúde, educação e ação social”, afirmou, questionando como é que as autarquias “vão fazer mais com menos recursos”. “Há mais responsabilidades e menos dinheiro” alertou, lembrando que “com o aumento dos custos, recai tudo nos municípios”.
Destacando o caminho de quase meio século de democracia, e das conquistas em matéria de justiça social e de “exercício dos direitos humanos”, José Francisco Rolo reconheceu ainda assim que “não vivemos no país perfeito” e que há “problemas por resolver”, ainda mais agravados agora com uma guerra “outra vez na Europa”. Mesmo assim, e apesar “ das sombras que muitos tentam agitar”, “o 25 continua a ser uma luz”, observou o autarca, dando nota da solidariedade de Oliveira do Hospital com os mais desprotegidos, visível ainda recentemente com o acolhimento a cerca de duas dezenas de refugiados ucranianos que “aqui vivem em paz e aprendem a língua portuguesa”.
Também o mais jovem presidente de Junta de Freguesia do país e representante do CDS/PP, Rafael Dias, se manifestou contra a forma como o processo de transferência de competências está a ser imposto às autarquias e pediu uma “descentralização séria” que mostre às pessoas que “o poder político está próximo delas”. Apontou ainda como “grave”, no dia em que se celebra a liberdade e a democracia, que “metade dos portugueses não participem na vida democrática”, como indicam estudos divulgados recentemente.
Já o PSD, pela voz do vereador Francisco Rodrigues, confessou o sentimento de “contrastes” que o percorre relativamente ao 25 de Abril, entre aquilo que foram os desígnios alcançados e o que ainda falta fazer. “Será que fizemos tudo o que devíamos ter feito em 48 anos?”, questionou, considerando de seguida que “o saldo é negativo entre as expectativas e a realidade”. “O 25 de Abril foi muito mais um fim do que um inicio. Estamos ainda longe de um modelo de sociedade justa e inclusiva”, afirmou o autarca da oposição, concluindo que há “um déficit de concretização” no país que impõe “mais firmeza ideológica, mais ética e mais carácter” daqui para o futuro.
Filho da democracia, Ricardo Figueiredo, do PS, agradeceu aos capitães de Abril e aos resistentes anti fascistas, nomeadamente aos oliveirenses ali presentes, António Campos e Manuel da Costa, o facto de terem libertado o país das “amarras da ditadura” e de terem lutado “por um país livre”. “Este ano de 2022 é um ano especial, assinalámos em Março mais dias em democracia do que de ditadura”, referiu, deixando da parte do Partido Socialista a promessa de “continuar o trabalho iniciado em 74” por um país “mais justo e com igualdade de oportunidades para todos”. “Cumprir Abril é garantir que o nosso país e o nosso concelho tenham futuro”, concluiu ainda o dirigente socialista.
Da CDU, João Abreu preferiu partilhar a memória, escutada através do Rádio Clube Português, da “explosão de alegria nas ruas” pelo fim da ditadura e da “sangrenta guerra colonial”, destacando ainda a conquista do poder local democrático, permitindo, pela primeira vez, a escolha pelo povo dos órgãos eleitos das Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia.
As comemorações do 25 de Abril de 1974 foram ainda pontuadas por vários momentos musicais e vão prolongar-se até meados do próximo mês.
















