A Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital aprovou, na sessão realizada a 26 de junho, uma moção apresentada pelo presidente da Junta de Freguesia de Meruge, João Abreu, que apela à intervenção urgente das autoridades para pôr termo às alegadas descargas poluentes no Rio Cobral, atribuídas às fábricas de lacticínios situadas na Catraia de São Romão/Carragosela.
No documento, o autarca afirma que as descargas de efluentes industriais se intensificaram e transformaram o curso de água “num imenso esgoto a céu aberto”.
Segundo a moção, a alegada poluição tem provocado graves consequências ambientais e para a saúde pública, incluindo a contaminação de prados e lençóis freáticos, o encerramento do poço de abastecimento de água da freguesia de Meruge, a destruição da fauna e da flora do rio, a proliferação de mosquitos e a emissão de odores considerados insuportáveis pelas populações ribeirinhas. O documento sustenta ainda que estes problemas afetam a qualidade de vida dos habitantes e prejudicam a atividade turística nas localidades abrangidas pela bacia do Rio Cobral.
A moção reconhece a importância económica da indústria de lacticínios para a região, mas considera que o desenvolvimento da atividade não pode ocorrer à custa da degradação ambiental. O texto denuncia aquilo que classifica como um problema que se arrasta há mais de três décadas e critica a alegada falta de eficácia das entidades competentes na fiscalização e resolução da situação.
Entre as diligências já efetuadas, o documento refere denúncias apresentadas pela Junta de Freguesia de Meruge, pelo Município de Oliveira do Hospital e por cidadãos, bem como pedidos de intervenção dirigidos à Câmara Municipal de Seia, à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), à Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) e ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA). A moção menciona ainda abaixo-assinados promovidos pela população e uma reunião entre a APA, o SEPNA e representantes autárquicos que, segundo o texto, não produziu resultados concretos.
Com a aprovação da moção, a Assembleia Municipal deliberou remetê-la ao Presidente da República, António José Seguro, ao Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, ao Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, aos grupos parlamentares da Assembleia da República e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro), solicitando uma intervenção institucional para fazer cessar as alegadas descargas poluentes e promover a recuperação ambiental do Rio Cobral.
O documento prevê igualmente o envio da moção, acompanhada de um dossier ilustrativo da situação, às instituições da União Europeia com competências na área do ambiente, bem como a sua divulgação junto dos órgãos de comunicação social locais, regionais e nacionais.













