Proposta de criação de um único mega agrupamento de escolas em Oliveira do Hospital teve “fins políticos”, considera autarca.
O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, quebrou o silêncio sobre a proposta de reorganização da rede escolar no concelho, mais concretamente sobre a decisão de criação de um único mega agrupamento de escolas. Alexandrino acusa agora a ex diretora regional de educação de ter “usado”o Município oliveirense e o seu executivo neste processo, ao promover uma “falsa negociação” junto dos parceiros locais, quando “afinal estava tudo decidido”.
O autarca falava “à margem” do comunicado emitido pelo seu gabinete e que dá conta da intenção do executivo camarário de continuar a lutar por um modelo de agregação de escolas diferente do proposto pela tutela. “Senti-me usado, como se sentiram os diretores e as comunidades educativas, porque nos fizeram perder tempo, quando já tinham as coisas decididas, e tempo é dinheiro”, lamentou o presidente da autarquia oliveirense, considerando a proposta final divulgada pelo Ministério da Educação totalmente “contra” as regras e o “sentir das comunidades escolares” do concelho. “Há uma pessoa que é responsável por essa situação, porque a proposta é dela, que é a Dra. Cristina Oliveira, pelo que lamento que ela nos tenha usado para atingir determinados desígnios que não a qualidade educativa no concelho”, entende o edil, visivelmente indignado com a proposta de constituição de um único mega agrupamento de escolas no concelho. “Não conheço nenhuma situação no país, pode haver, mas não conheço, em que houvesse a junção de cinco agrupamentos, e isto é uma vergonha porque foi feito ao arrepio de tudo e de todo, incluindo o Projeto Educativo Local”, contra atacou José Carlos Alexandrino, prometendo não “parar” por aqui o processo.
“Esta é uma luta que continuará no concelho e há pessoas que irão ser responsabilizadas no futuro pelo prejuízo educativo que estão a causar ao concelho, a nível dos alunos, dos encarregados de educação, dos professores e dos funcionários”, garantiu o edil para quem não restam dúvidas de que se tratou de uma proposta “com fins políticos”, mas que trará também consequências politicas à ex diretora regional de educação, enquanto candidata à Câmara Municipal de Oliveira nas próximas eleições autárquicas. “Estaremos cá para lhe lembrar que foi ela a responsável por uma proposta que vai ao arrepio de todos os princípios éticos ”, avisa o autarca, lamentando que sendo o Município um parceiro privilegiado do Governo na área da educação tenha tido conhecimento da lista de agregações de escolas pela comunicação social. “Percebe-se que nós saibamos destas negociações 24 horas depois de ter saído na comunicação social, num comunicado não assinado pela diretora regional, porque o cargo foi extinto a 31 de dezembro, mas pela diretora de equipamentos escolares que é assim o novo cargo”, questiona, acusando Cristina Oliveira de ser a única responsável por “este atentado à educação no concelho de Oliveira do Hospital”.
Numa semana que rotulou de “negra” para o concelho em virtude desta proposta da ex diretora regional de educação, Alexandrino apontou ainda o dedo a Cristina Oliveira, dizendo que esta não foi séria e fingiu mesmo, em dezembro, que estava fazer uma negociação com a autarquia e as escolas, quando já tinha a decisão tomada. Embora não dê o processo como encerrado, Alexandrino garante “não se sentar mais à mesa com pessoas que o enganaram”, preferindo passar à “fase jurídica”.













