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“A luta do IC6 ainda não está ganha, mas havemos de lá chegar”

Autor: Folha do Centro
22/07/2017
in Atualidade, Concelho
“A luta do IC6 ainda não está ganha, mas havemos de lá chegar”
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A praticamente dois meses das próximas eleições autárquicas, o presidente da Câmara Municipal, José Carlos Alexandrino, faz ao Folha do Centro uma “radiografia” do mandato e acredita que, em outubro, vai ver renovada a confiança dos oliveirenses, a quem não desiste, num próximo mandato, de concretizar o “sonho” do IC6.

A praticamente dois meses das próximas eleições autárquicas, já fez saber que será novamente candidato à presidência da Câmara Municipal. O que é que o leva a avançar com a recandidatura a um terceiro mandato?

Sobretudo o apelo que tenho sentido de muitos oliveirenses, mas também a questão do IC6 até à nossa Zona Industrial, que continua a ser um dos meus grandes desígnios e não tenho dúvidas que todo o esforço que colocámos nisto vai terminar nessa grande conquista. As coisas têm o seu tempo, de qualquer forma penso que estão reunidas as condições que me parecem razoáveis para eu avançar. Por outro lado, também há um conjunto de verbas do quadro comunitário 2020 que foram afetas a Oliveira do Hospital- dinheiro que foi conquistado a pulso nas negociações- e que leva a que Oliveira nunca tenha tido tanto dinheiro para realizar tantas obras. Por isso, os desafios nunca acabam, e estes são alguns dos que tenho pela frente.

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Admite que esta é uma derrota política, o facto de não ter conseguido até agora a concretização do IC6?

É preciso termos consciência do seguinte, e perguntar há quanto tempo este governo do PS chegou, porque do governo do PSD, o anterior secretário de Estado nem sequer nunca recebeu os autarcas. Não nos podemos sentir de modo nenhum derrotados, porque já foi este governo que abriu as portas à continuação do IC6, decorrendo neste momento o concurso para a adjudicação do projeto de execução que é uma verba bastante elevada, e por isso nunca podia pedir que, neste espaço curto de tempo, fizessem o IC6. Sentia-me derrotado era se não fizesse nada e não preparasse tudo para o futuro, porque este IC vai demorar 3 a 4 anos a chegar cá. Nunca me senti derrotado, porque derrotados foram aqueles que nunca fizeram nada para alcançar o IC6 e o desenvolvimento de Oliveira do Hospital nas diferentes áreas. Derrotado é quem nunca luta. Por isso sinto-me confortável com aquilo que fiz, é claro que gostaria que o processo estivesse mais avançado, mas neste momento decorre uma coisa que é nuclear que é o projeto definitivo até Folhadosa. Aquilo que é claro do compromisso do Governo é que no quadro da negociação do novo quadro comunitário seja afeta uma verba para esta obra, e que nessa altura, esteja tudo pronto para lançar o concurso.

Acredita que é no próximo mandato que vai ver obra?

Acredito que, pelo menos, o IC6 será iniciado e que em 2022 os oliveirenses já terão uma via capaz de os fazer chegar mais rápido aos hospitais a Coimbra. Eu encarno essa luta. Essa luta para mim tem sido determinante, tenho tido lutas muito difíceis, como sabe, uma delas a que teve que ver com a manutenção da ESTGOH, e que hoje nos podemos orgulhar de ter boas noticias, com a abertura de mais três cursos no próximo ano lectivo, e posso dizer, sem falsas humildades, que hoje se esta escola existe e está a funcionar deve-se a um homem chamado José Carlos Alexandrino que, numa batalha dura, e contra alguns interesses instalados, não deixou que a fechassem. E por isso a luta do IC6 ainda não está ganha, já ganhámos algumas batalhas e acredito que havemos de lá chegar no próximo mandato, havemos de concretizar aquele que é um sonho não só do presidente da Câmara, mas de todos os oliveirenses.

Outro dossier por que tem lutado, chama-se saúde. Apesar de todo o seu esforço, Oliveira do Hospital continua sem médicos suficientes…

Eu garanto-lhe que em 2018, se continuar a ser presidente de todos os oliveirenses, como espero, terei este problema da falta de médicos resolvido. Eu tenho afrontado inclusivamente os lobies, dentro do próprio Centro de Saúde. Acredito que serei capaz de concretizar, com o Ministério da Saúde, um projeto diferente e de grande qualidade na área da saúde, o que hoje Oliveira do Hospital não tem e eu não me conformo que o nosso Centro de Saúde continue a ser um entreposto de doentes para a SUB de Arganil e para os hospitais centrais. E por isso, haverá grandes transformações na área da saúde em Oliveira do Hospital, tenho estado a trabalhar nesse projeto, porque eu quero que todos os oliveirenses tenham uma melhor saúde do que têm hoje. Este é também um grande desígnio que temos, mesmo não sendo uma área da competência direta da Câmara Municipal.

Uma área que já anunciou como prioritária, num próximo mandato autárquico, e que é reclamada pelos investidores tem a ver com ampliação da Zona Industrial da cidade. Este é também um projeto que deveria estar mais avançado?

Antes de mais, dizer que o concelho de Oliveira do Hospital soube resistir bem à crise que assolou o país e que hoje se relança com uma força renovada e isso deve-se essencialmente à capacidade dos nossos empresários. O que nós fizemos foi uma candidatura à ampliação da Zona Industrial, do lado sul, que neste momento temos garantias que vai ser aprovada, representando um grande avanço em relação aquilo que é uma ZI tradicional. Já tínhamos gasto cerca de 800 mil euros, no lado norte da ZI, há terrenos que foram entregues, e que esperemos possam ser ocupados por essas empresas. Por outro lado, estamos a trabalhar com o AICEP, no sentido de tentar atrair novos investimentos. Tudo isto tem um tempo. Oliveira do Hospital, quer as suas aldeias, quer a cidade, começa a ter aquilo que é fundamental em termos de qualidade de vida. Poderíamos comparar aquilo que eram algumas freguesias quando eu aqui cheguei, onde estava quase tudo por fazer, e como estão hoje, como poderíamos falar do ambiente e lembrar como era a água da rede pública em Oliveira do Hospital. E por isso há aqui um avanço a todos os níveis, que nos leva a definir um novo paradigma para o concelho e nesse aspeto o grande desígnio dos próximos quatro anos será atrair capital e criar novo emprego. E hoje poderíamos falar nos níveis de desemprego de Oliveira do Hospital. O concelho já há mais de 10 anos que não tem uma taxa de desemprego tão baixa, e há outra coisa que é fundamental percebermos é que hoje Oliveira ganhou uma centralidade e um prestígio que não tinha nas diferentes áreas.

A que é que isso se deve, à realização de certos eventos e ao seu mediatismo?

Sem dúvida nenhuma, foi uma estratégia que nós adotámos, e que é uma nova forma de “vendermos” o nosso território. E podemos relacionar tudo isto com a área do turismo, que como se sabe, tem sido uma importante alavanca da economia do país. Nesta área também temos grandes desafios pela frente, já fizemos algumas coisas, até porque é preciso perceber que nesta área estava tudo por fazer. Hoje Oliveira do Hospital pertence a redes de turismo- a Rede das Aldeias de Xisto, a Rede das Aldeias de Montanha. Nós tínhamos rios e praias, mas as nossas praias não passavam da “cepa torta”. Hoje as nossas praias são reconhecidas pela sua qualidade e acessibilidade. Poderia falar também no investimento que está a ser feito em Lourosa, na requalificação da envolvente à igreja moçárabe, da recuperação do Centro de Interpretação das Ruinas da Bobadela e da casa “Amarela” que será um espaço para receber jovens arqueólogos e universitários que possam vir à Bobadela, e por isso eu acho que temos um enorme potencial turístico no nosso concelho. Hoje Oliveira do Hospital tem uma nova centralidade porque há uma estratégia de marketing que tem funcionado. E se hoje as grandes superfícies estão em Oliveira do Hospital, é porque Oliveira é uma cidade apelativa, porque as grandes marcas não se instalam onde não têm mercado. Há por isso áreas estratégicas que definimos em termos futuros: uma delas é o desenvolvimento económico e também o desenvolvimento tecnológico através da BLC3, porque acreditamos que chegaremos longe com os projetos que estão ali a ser desenvolvidos.

Hoje acredita mais na BLC3 que há uns anos atrás?

Eu sempre defendi a BLC3. A BLC3 é um processo lento, que não pode dar frutos logo. Começa a dar os primeiros frutos agora. De qualquer maneira houve aqui um forte investimento da Câmara Municipal e ela existe, é preciso dizer-se, porque a Câmara financiou a aquisição das suas instalações -o antigo Centro de Negócios de Lagares da Beira. Outros, no passado, não tiveram essa visão, deixando aquele espaço completamente abandonado, quando o poderiam ter reavido a custo zero. O que eu acho é que vamos ter de avançar com outro modelo de desenvolvimento económico, onde a BLC3 tem um papel fundamental.

E nesse aspeto vai manter o apoio à BLC3? 

Vou manter o apoio até a BLC3 chegar a um determinado patamar e até ser auto sustentável. É fundamental que assim seja. Quero dizer que um concelho não pode ser construído por um homem só, o concelho é construído por um colectivo e se há alguém importante neste concelho são os nossos empresários que geram riqueza e têm arriscado para fazer avançar as suas empresas e o concelho.

E com isto estamos às portas de mais uma EXPOH – a oitava edição. Mantém-se o modelo com que foi lançada há 8 anos?

Este ano tem algumas novidades, sobretudo pela qualidade do seu cartaz, que é um dos melhores de sempre. A EXPOH enquanto estiver confinada ao parque do Mandanelho, terá de ter este modelo, porque não tem condições para ter outras características. Este ano mantém-se numa linha de continuidade, acho que vai correr bem, e espero um dia mudá-la…

Os seus adversários políticos acusam-no de populismo e de continuar a apostar demasiado nas festas …como é que comenta estas críticas?

Mal seria se eles não tivessem nada para dizer. O que eles não conseguem esconder com esse seu discurso é que eu sou o presidente que trouxe mais dinheiro para Oliveira do Hospital, nas negociações dos diferentes quadros comunitários. Isso é indesmentível, porque eles não conseguem apagar as obras. Não tenho dúvidas que nenhum presidente até agora atingiu o nível de investimento, que eu consegui. Há muita coisa que não se vê, como é o caso do saneamento, mas nós somos o executivo que mais fez nesta área. Isso é um fait diver da parte deles, mas também é verdade que nós somos mesmo bons em festas, porque isso tem uma estratégia. Eles gastavam dinheiro em foguetes – uma das últimas que eu tenho ultrapassa os 30 mil euros; nós gastamos em festas, mas temos uma estratégia, e damos uma nova centralidade a Oliveira e por isso, há uma coisa que lhe quero dizer é que não há nenhum executivo na história de Oliveira do Hospital que tenha feito tanta obra como nós. Mas deixe-me ainda dizer isto: é que a oposição que diz que nós só fazemos festas, eu digo que tenho andado a pagar a dívida que eles me deixaram. Nós conseguimos fazer estas festas todas, e pagámos 18 empréstimos que nos deixaram e fiz outra coisa: do empréstimo maior de cinco milhões, já só devemos três milhões, isto é, já amortizámos dois milhões. Conseguimos fazer uma gestão rigorosa, os nossos fornecedores, todos sabem como nós pagamos, e isso tem sido fundamental, porque temos uma gestão com ambição, e temos ao mesmo tempo uma gestão rigorosa. Isso é nítido. Basta ver os prazos de pagamento publicados pela DGAL que demonstra claramente que somos um executivo com rigor na despesa e que sabe o caminho que quer para o concelho. Acho que a nossa gestão, como a própria modernização da Câmara Municipal, é uma gestão de qualidade, de inovação e estamos certos que iremos ainda muito mais longe num próximo mandato.

Na área social vai manter os incentivos à natalidade?

Há dois projetos na área social que eu considero um sucesso: primeiro o incentivo à natalidade que já ultrapassou os 400 mil euros e mais de 500 crianças beneficiadas. Em 2016 houve um aumento da natalidade no concelho, que eu não quero relacionar diretamente com este apoio que é dado às famílias nos três primeiros anos de vida, mas que de qualquer modo é de registar. Depois há outro projeto que eu gostaria de destacar que é o Programa “Casa Digna” onde prevemos já ter investido 300 mil euros, com intervenções em cerca de 60 casas, criando condições de habitabilidade às pessoas. Este é também um executivo que tem uma visão social e uma sensibilidade para as questões sociais.

É este balanço que lhe dá legitimidade para pedir, como já pediu, uma maioria absoluta ainda mais alargada, nas eleições de outubro?

Eu acredito que hoje há uma dinâmica de vitória e isso dá-me a garantia de poder ampliar o resultado de há quatro anos. É para isso que trabalhamos, e é sobretudo a avaliação do povo oliveirense do trabalho que executámos ao longo dos últimos oito anos que vai pesar. Não tenho dúvidas nenhumas que vamos ter uma grande vitória eleitoral no próximo dia 1 de outubro e que o PSD vai voltar a sair derrotado.

Como vê a candidatura pelo PSD de um seu antigo apoiante e conterrâneo, o engenheiro João Paulo Pombo, pelo PSD, assumindo-se como seu principal rival político?

Prefiro não comentar…

Vai manter a equipa que o acompanha atualmente?

Os quatro primeiros nomes serão os mesmos que estão agora comigo e que me assessoriam, isso não há dúvida. Haverá por pedido do Dr. João Ramalhete que, a pedido dele, será candidato na lista à Assembleia Municipal e, por isso, haverá gente nova a entrar neste executivo. Mas a seu tempo anunciarei quem são.

Tags: AlexandrinoDestaquesIC6
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