Concelhias do PS e do PSD trocam duras acusações. PS repudia comportamento da oposição de “desrespeito” e “abandono dos oliveirenses”. PSD contra ataca e desafia Partido Socialista a acompanhar mais de perto o trabalho do executivo camarário que em pouco tempo de mandato já está marcado por vários “casos”.
Os vereadores da oposição na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital abandonaram a reunião pública do executivo, esta quinta feira, alegando não lhe ter sido concedido o direito de resposta, no decurso de uma discussão acalorada entre a vereadora da educação, Graça Silva e o vereador do PSD, Rui Fernandes.
Na origem do confronto estiveram as afirmações do vereador que acusou a Câmara Municipal de ser a grande responsável pela criação de um único mega agrupamento de escolas no concelho, situação que, deu a entender, não se verificou noutros concelhos.
A afirmação caiu que nem uma bomba junto da vereadora da educação que acusou a oposição de faltar à verdade, e desafiou a vereadora Sandra Fidalgo que, na qualidade de diretora no AEOH à época dos factos, acompanhou o processo, para esta dizer quem é que impôs o mega agrupamento a Oliveira do Hospital, recusando-se a aceitar que tenha sido a Câmara Municipal a responsável por tal decisão.
Sandra Fidalgo explicou que, na altura, as escolas de Oliveira do Hospital levaram até ao limite a decisão de aceitar a constituição de apenas um mega agrupamento, e que quando, a certa altura, decidiram propor dois agrupamentos, a DGEST já não aceitou.
Visivelmente exaltada com o ataque do vereador do PSD, Graça Silva deixou claro que a Câmara não teve nada a ver com a decisão dos agrupamentos, e que o Ministério da Educação é que impôs um só mega agrupamento a Oliveira do Hospital.
Uma discussão que parecia não querer terminar e que não terminou bem, com a vereadora a acusar a oposição de estar a proferir afirmações falsas, e com o presidente da Câmara a lembrar ao vereador da oposição que, também neste capitulo, não “pode reescrever a história”, dando por terminado o assunto.
Indignado por não poder ripostar, Rui Fernandes abandonou a reunião, acompanhado dos colegas de bancada, que saíram também. Enquanto saiam do salão nobre, o presidente José Francisco Rolo, disse “compreender” o clima de confronto e os “casos e casinhos” que a oposição tenta criar, nestas ocasiões.
Poucas horas depois do incidente, o Partido Socialista de Oliveira do Hospital emitiu um comunicado a repudiar o comportamento manifestado pelos Vereadores da oposição, eleitos pelo PSD, considerando tratar-se de um “ato completamente anti democrático e de desrespeito pelo órgão Câmara Municipal”.
O PSOH considera que ao abandonarem a sessão ordinária pública, os eleitos do PSD deixam “abandonados os Oliveirenses que os elegeram, apenas e só para fazerem um número político e populista, que em nada abona a favor do espírito, missão e respeito, que as pessoas que exercem estes cargos públicos deverão ter”.
Ao repudiar a atitude dos vereadores do PSD, o PSOH lamenta ainda que se tenha “chegado a este tipo de baixa política” e solidariza-se com o Presidente da Câmara Municipal e com o seu executivo, “na defesa intransigente dos interesses dos Oliveirenses”. “Sem ideias, sem alternativas, apenas com uma estratégia destrutiva e de crítica fácil, a oposição está a criar um claro ambiente de guerrilha permanente e de desrespeito pelos Oliveirenses” acusa ainda o Partido Socialista, entendendo que “na política não vale tudo para atingir, apenas e só, fins partidários”.
“Os próprios órgãos do Partido pelo qual foram eleitos, deverão refletir sobre o tipo de convivência política que o PSD pretende para Oliveira do Hospital, pois este tipo de oposição não serve os interesse dos Oliveirenses, não perspectiva nada de positivo para o futuro, nem tão pouco se coaduna com os valores e princípios que deverão estar subjacentes a uma verdadeira oposição e desafia o PSD a pedir desculpa aos Oliveirenses”, concluem os socialistas.
O PSD não demorou a responder e em comunicado enviado ao nosso jornal explica que a iniciativa dos vereadores do seu partido de “abandonar a reunião pública do órgão executivo municipal assumiu-se como um acto de protesto pela forma anti-democrática e pela total incompetência revelada pelo Presidente da Câmara Municipal na condução dos trabalhos das reuniões da Câmara Municipal”. “Deveria antes o PSOH repudiar, em primeiro lugar a reação extremamente agressiva e deselegante assumida pela Vereadora da Educação e da Ação Social perante uma intervenção proferida pelo Vereador Rui Fernandes e, em segundo lugar, a prepotência revelada pelo Presidente da Câmara ao impedir o Vereador Rui Fernandes de voltar a intervir para clarificar a sua intervenção anterior”.
“Melhor fora que o PSOH se preocupasse em acompanhar mais de perto o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela maioria socialista no Executivo Municipal, num mandato ainda tão curto mas já tão cheio de problemas e casos, como sejam o arrastar das obras de “Santa Engrácia” que nunca mais acabam”, contra ataca o PSD, afirmando que o ato de abandonar a reunião do executivo municipal “não foi uma reação isolada e circunscrita aos assuntos em debate no dia de (ontem), mas a consequência de uma atitude reiterada de obstrução ao trabalho dos elementos eleitos pela Coligação “Unidos para Construir o Futuro”, a qual “não podemos continuar indiferentes”, dizem.













