O vereador eleito pela Coligação CDS/NC “O Motivo” apelou, esta manhã, durante a reunião pública do executivo camarário oliveirense, ao corte “institucional” do IP3 ou da A1, se o Governo continuar a adiar a execução do IC6, no troço que atravessa o concelho de Oliveira do Hospital até ao limite do concelho de Seia.
João Duarte entende que o caso do IC6, que volta a estar na ordem do dia, depois de uma reportagem da TSF ter avançado que o estudo de impacte ambiental só estaria concluído em finais de 2028, já “lá não vai com umas farpas nos órgãos de comunicação social” e que é “preciso sermos mais fortes nas reivindicações” e de fazer algo “com impacto nacional”. O vereador lembra que Oliveira do Hospital tem sido “completamente destratado” nesta matéria e garante que, nesta altura, os concelhos afetados pelo sucessivo adiamento daquela infraestrutura rodoviária deviam juntar-se, bem como os empresários, e fazer um corte sério do “IP3 ou na A1”, lamentando que o Governo esteja a “chutar” esta obra para 2028.
João Duarte foi mesmo mais longe e apelou ao presidente do Município de Oliveira do Hospital para deixar de continuar a ser solidário com os “investimentos” da Região Metropolitana de Coimbra, enquanto o “IC6 não for uma absoluta prioridade” para a CIM RC. “Não faz sentido continuarmos a comparticipar os projetos da CIM”, afirmou, mostrando-se contra a duplicação do IP3 sem que seja feito um quilómetro de IC6.
Uma declaração que não caiu bem ao vereador Francisco Rodrigues, do PSD, que questionou o vereador do CDS sobre a veracidade da informação vinda a público, acusando-o de estar a fazer um número político em torno deste caso. Saiu em defesa do Governo, dizendo que “não vive tempos fáceis” e apelou à “paciência” dos oliveirenses que, segundo ele, devem acreditar que o IC6 vai ser uma realidade com o atual Governo.
Também o Vice Presidente da Câmara, Nuno Oliveira, fez questão de intervir para lamentar que, independentemente dos governos e dos partidos, a “promessa seja sempre a mesma”, concordando com João Duarte de não ver a CIM RC solidária com este itinerário, como diz ver com outras infra estruturas. “Os empresários desta região têm sido uns heróis, no meio disto tudo”, concluiu.
O presidente do Município interviu, por fim, lembrando que “estamos a ser pacientes há mais de 30 anos” e que, como tem dito por diversas ocasiões, “esta é uma dívida do Estado Português com esta região”. Culpou os sucessivos governos de estarem em “incumprimento” há várias décadas e informou que, depois da noticia da TSF, pediu esclarecimentos à IP – Infraestruturas de Portugal, sobre os factos revelados pela comunicação social. Perante os últimos desenvolvimentos, Rolo não esconde que “é muito difícil como autarca aceitar novos investimentos rodoviários na região”, e lamenta que “enquanto uns discutem o metro bus, outros discutam a velhinha EN17”.
“Oliveira do Hospital utiliza uma estrada do século 19, que passa ao lado de uma Zona Industrial com empresas com tecnologia do século 21”, observou o edil, a aguardar agora uma resposta da IP, depois de em maio passado, ter sido garantido ao Município que a avaliação do impacto ambiental do IC6 estaria concluída o mais tardar em dezembro deste ano.
Também o vereador Rui Fernandes, do PSD, pediu a palavra para sublinhar que, nesta matéria, “estamos todos do mesmo lado” e que contasse com os seus vereadores para continuar a “perseguir” este assunto, partilhando da opinião quer do vereador do CDS, quer do executivo em permanência, de que Oliveira do Hospital tem de pressionar mais “dentro da CIM- RC”.
