Corpo da menina de 12 anos que se terá atirado de um 10º andar em Lisboa foi ontem a enterrar no Cemitério da vila.
Foram muitos os familiares, amigos e conhecidos, entre os quais diversas crianças e jovens, que ontem quiseram prestar a última homenagem a Beatriz Coimbra, a menina de Tábua que no passado domingo perdeu a vida na sequência de uma queda de um 10º andar de um prédio em Alfragide, Lisboa, onde residia com o pai, e com a companheira deste.
A morte trágica e prematura de Beatriz Coimbra, que tinha apenas 12 anos de idade, foi ontem “chorada” pelos tabuenses, que conheciam bem e “simpatizavam” com a menina que, apesar de atualmente se encontrar à guarda do pai, terá vivido a maior parte da sua infância em Tábua, com a mãe e também junto dos avós paternos que residem e são pessoas conhecidas na vila. “Ninguém consegue perceber o que se passou, a menina ainda agora aqui esteve nas férias e estava bem disposta, andava alegre”, diz uma das muitas “mães” presentes nas cerimónias fúnebres, mostrando a sua “incompreensão” pelo sucedido. “Isto foi uma tragédia para toda a gente, para o pai, para a mãe, para os avós que a ajudaram a criar, não há palavras para tanta dor”, acrescenta uma amiga da família, desconhecendo os motivos que terão levado a criança a tomar uma atitude tão “radical”.
“Eu acho que ela devia estar contrariada com alguma coisa, mas já cá não está para contar o que se passou”, acrescenta quem convive de perto com a família, ainda que sem querer encontrar “culpados”. “Estas situações são sempre complicadas e aquilo que sei é que a menina andava a ser acompanhada pela psicóloga da escola, agora por que razão, não sei”, diz outra das pessoas que falou ao DC, consternada com a tragédia que se abateu sobre esta família. “A menina só podia estar com uma grande depressão”, atiravam outros amigos e conhecidos, na tentativa de explicar aquilo que o pároco de Tábua, na missa de corpo presente, descreveu como sendo um “mistério de Deus que nós não compreendemos” mas que temos de aceitar “com a nossa fé”. “Neste momento não são precisas muitas palavras, nem muitas lágrimas, talvez neste momento seja mais útil o nosso silêncio para meditarmos, para refletirmos sobre a realidade da morte e para refletir como a vida é passageira e tão pouco duradoura”, acrescentou o sacerdote que presidiu à homilia, lembrando que não há idade, nem condição social para partir e a prova disso é a morte precoce desta menina, que Deus chamou para junto de si por ser um coração “sincero e puro”.
“São estes muitas vezes os primeiros a ser chamados” ainda que “ a nossa limitada inteligência não compreenda”, reiterou o pároco de Tábua. “Questionamos porquê esta criança quando tinha uma vida inteira para viver, mas Deus entendeu as coisas de outro modo, precisava dela para si, para juntar aos coros dos anjos e dos santos que lhe rezam diariamente, uma vez que nós aqui esquecemo-nos de rezar”, disse o sacerdote, numa mensagem que pode ser entendida como um alerta para todos os pais e educadores. “Precisamos de nos tornar simples e humildes como as crianças, Deus precisa de pessoas assim cá na terra também” exortou ainda o pároco, deixando uma palavra de fé e de esperança à família, para “não se deixarem abater por esta forte tribulação”, pois “ igreja, a comunidade, a escola está convosco”.
