Após a emissão, pelo Governo, de uma “declaração de imprescindível utilidade pública” relativa à Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC) que a Sonae Arauco pretende instalar no concelho de Oliveira do Hospital, a empresa anunciou um conjunto de alterações ao projeto, incluindo a desistência da sua implementação no Vale do Alva e a compensação de plantação de sobreiros.
Recorde-se que de acordo com a notícia divulgada pelo jornal Expresso, a declaração assinada pelos secretários de Estado do Ambiente, João Esteves, e das Florestas, Rui Ladeira, autorizava o corte de 508 sobreiros.
Numa nota de esclarecimento enviada ao Folha do Centro, fonte oficial da Sonae Arauco explica que “o projeto foi concebido para promover a viabilidade técnica de instalação de um projeto de energia renovável solar para autoconsumo na fábrica de Oliveira do Hospital e para assegurar um impacto ambiental positivo na floresta nacional”. “Neste sentido, aumentamos consideravelmente a área com presença de sobreiros, passando de 2,8 hectares para 6,35 hectares, ao mesmo tempo que evitamos a implementação da UPAC no Vale do Alva, utilizando os telhados e estacionamento da unidade industrial e um terreno adjacente à mesma”, refere.
A empresa assegura ainda que “a área a plantar excede em muito o que é exigido legalmente, demonstrando o compromisso da Sonae Arauco com a preservação florestal”. Segundo a mesma fonte, “no total serão plantados 2.648 sobreiros, representando mais de cinco vezes o número de árvores impactadas”.
De acordo com a fábrica, “esta intervenção ocorrerá numa área florestal gerida pela Sonae Arauco, em terrenos afetados pelos incêndios em 2024” e “a empresa compromete-se a assegurar a plantação das novas árvores, bem com a valorização desta área florestal, em linha com as melhores práticas de gestão e contribuindo inclusive para a recuperação dos ecossistemas”.
Note-se que, na declaração publicada em Diário da República, o Governo destaca a “inexistência de alternativas válidas” para a localização da unidade, atendendo às “características paisagísticas e topográficas da envolvente à unidade industrial” e ao facto de as unidades de autoconsumo terem de estar próximas dos pontos de consumo.
Em causa está a construção de uma central solar com uma capacidade de 13,3 megawatts, a instalar em terrenos adjacentes à fábrica da Sonae Arauco. O projeto representa um investimento de 8,5 milhões de euros e integra um plano mais amplo de modernização da unidade industrial, avaliado em mais de 50 milhões de euros.
Atualmente, a fábrica emprega diretamente mais de 200 trabalhadores e assegura cerca de 600 postos de trabalho indiretos.
O Governo fundamenta a sua decisão com “o relevante interesse público, económico e social do empreendimento em causa, bem como a sua sustentabilidade”, sublinhando que o projeto contribuirá, por um lado, para as metas de descarbonização e de eficiência energética da empresa e, por outro, para a concretização dos objetivos nacionais nesta área.
