Saúde e acessibilidades marcaram “reivindicações” ao Governo em dia de festa dos Bombeiros

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital comemorou 93 anos com reconhecimento ao apoio e trabalho de todos quantos colaboram com esta instituição que gostaria de ver este seu “longo percurso” ao serviço da comunidade agraciado pelo Município.

A situação de “emergência” em que se encontram os serviços de saúde em Oliveira do Hospital, mas também a falta de um acesso rodoviário, digno desse nome, ao concelho, marcaram, este domingo, algumas das intervenções da sessão solene comemorativa do 93º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital, ou não fossem estar na presença de um membro do Governo: o secretário de Estado da Administração Interna, João Pinho de Almeida, que em menos de um mês teve oportunidade de “conhecer por dentro” as duas corporações dos bombeiros locais.

E, tal como aconteceu em fevereiro, por altura da festa do queijo, foi pedido, mais uma vez, ao governante que este fosse “porta voz” de algumas situações “aflitivas” por que passa o concelho, nomeadamente na área da saúde e das acessibilidades. Num discurso onde enalteceu o trabalho “sincero” e a capacidade de entrega de todos os elementos que compõem a grande equipa dos bombeiros oliveirenses, a presidente da Assembleia Geral da instituição, Maria José Freixinho, não deixou de lamentar a “desatenção” da Administração Central, em áreas tão vitais para a vida de um concelho, como a saúde, fazendo notar que “atualmente a maior parte da população oliveirense não tem médico de família”. “Temos seis médicos para 22 mil habitantes”, sublinhou a dirigente, considerando a atual situação dramática, e até geradora de “estados de ansiedade entre a população” que vai sentindo a falta de alguns serviços públicos.

Freixinho deu também como exemplo o caso da justiça em que mais de 75% dos processos que eram da competência do tribunal da comarca foram deslocalizados para a sede de distrito e para tribunais ainda mais longínquos, afastando assim justiça dos oliveirenses. “Mas Oliveira sofre ainda outros problemas injustos” advertiu, referindo-se à falta de acessibilidades e aos 14 quilómetros que separam a sede do concelho do IC6, fazendo com que “continuemos com uma estrada real fustigada pelo trânsito sobretudo de pesados”.

Também o vice presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo, que representou o Município nestas cerimónias em substituição do presidente da edilidade, que se encontra ausente no estrangeiro, deu nota destes “anseios” dos oliveirenses e do poder local que os representa, fazendo questão de relembrar a João Almeida, os pedidos de Alexandrino, há um mês atrás, relativamente à necessidade da conclusão dos itinerários IC6 e 7, que é um problema que “toca a todos os oliveirenses”.

Não só porque estava numa instituição “especializada no socorro e na proteção das populações”, mas porque se trata de uma situação que aflige atualmente os oliveirenses, Rolo pediu ainda ao governante para ser o “mensageiro” da “nossa angústia” relativamente à falta de médicos que se faz sentir nos serviços de saúde locais, deixando mais de metade da população sem médico de família. “A colocação de quatros novos médicos no concelho é um imperativo, uma emergência” fez notar o autarca, solicitando a “ajuda” do secretário de Estado para fazer chegar esta “justa e emergente reivindicação” aos colegas de governo.

Secretário de Estado promete fazer chegar “reivindicações” ao governo

Com raízes no concelho vizinho de Arganil, numa aldeia que faz “fronteira” com o concelho de Oliveira do Hospital, o secretário de Estado da Administração Interna, sabe bem do que os oliveirenses falam quando reivindicam estradas e melhor saúde, e por isso, prometeu ser “porta voz” com “todo o gosto” dos anseios da população nestas duas áreas em concreto. E se no caso do IC6, João Almeida, considerou a questão “mais complexa”, no que diz respeito aos médicos, lembrou o pacote de incentivos aprovado recentemente pela Tutela, que espera também possam servir para solucionar o caso de Oliveira do Hospital. O governante mostrou-se, de resto, radiante com o que viu nos bombeiros oliveirenses, constatando nomeadamente a sua boa organização, a sua capacidade de resposta “adequadíssima ao presente” e a sua capacidade de “rejuvenescimento”, com as escolinha e a fanfarra, dois projetos amplamente elogiados e que permitem à corporação encarar o futuro com otimismo. (leia mais na edição impressa)

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