Padre Borges exaltou, na missa de corpo presente, a personalidade “tocante” de Serafim Marques e pediu à viúva que seja um “prolongamento” da amizade e do bairrismo que o comendador tinha em relação à sua terra natal.
S. Paio despediu-se ontem de um dos seus maiores beneméritos de sempre. Serafim Marques, falecido na passada segunda-feira em Lisboa, onde residia, foi sepultado ontem no seu jazigo particular no cemitério da sua terra natal, que lhe prestou aquela que foi a última homenagem.
Nas cerimónias fúnebres estiveram muitos dos que privaram com o comendador nos últimos anos, nomeadamente dirigentes da Sociedade Recreativa Lealdade Sampaense, onde o benemérito teve uma ação preponderante, nas últimas duas décadas, membros do executivo Municipal, que se fez representar pelo seu vice presidente – o presidente está ausente num congresso no estrangeiro, e vereadores, bombeiros, e ainda alguns cidadãos anónimos, sobretudo sampaenses, que quiseram agradecer, com a sua presença, tudo o que o benemérito fez pela terra e pelas suas instituições. “Era uma pessoa boa, dava sem dizer que dava”, recorda com saudade uma das populares que fez questão de acompanhar o corpo do comendador até à última morada.
Uma despedida emocionada também por parte do amigo e pároco da freguesia, António Borges de Carvalho, que na missa de corpo presente, exaltou as qualidade de filantropo de Serafim Marques, que tal como Jesus, “tocou” muita gente com o seu amor. “A vida de Serafim Marques foi um pouco assim, sem defesas, nem guarda costas, tocou com amor, com partilha”, afirmou o pároco, lembrando que, apesar de todo o bem que fez, Serafim Marques nunca gastou tempo em “condecorações”, nem em “discursos vazios”. Palavras de gratidão que fizeram também questão de “tocar” a viúva do comendador.
A hora era de tristeza e de mágoa, mas o pedido era “solene”, fez -se ouvir António Borges. “Que a senhora seja o prolongamento entre nós da amizade, do carinho e do bairrismo do seu marido, de modo a que permaneça tão vivo como sempre esteve o seu amor à sua terra”, exortou o pároco, num claro pedido de “ajuda” à esposa para que o trabalho das instituições que o benemérito sempre apoiou, não morra agora. “A prova de que sempre guardou no seu coração o seu torrão natal é que quis ficar no chão sagrado do nosso cemitério”, lembrou Borges de Carvalho, que não se cansou de comparar Serafim Marques a Jesus, pelos dias de “amor” e de “generosidade” que proporcionou aos seus semelhantes, nunca caindo na “mesquinhez”.
Município de Oliveira do Hospital decreta três dias de luto municipal pela morte do comendador
O Município de Oliveira do Hospital reagiu ontem num comunicado enviado à imprensa à morte do Comendador natural de S. Paio de Gramaços, considerando que “foi com profunda mágoa tomou conhecimento do falecimento” do “ilustre benemérito daquela localidade e do município, distinguido em 1995 com a Medalha de Mérito Municipal e em 2007 por S. Ex.ª o Presidente da República com a Ordem de Mérito Civil”.
Tendo presente “o seu caráter filantrópico que tantas ações e obras de beneficência proporcionou aos oliveirenses”, o vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Tavares Rolo, na ausência do presidente, decretou ontem, três dias de luto municipal, caracterizado no hastear da bandeira municipal a meia adriça em todos os edifícios públicos municipais em que a mesma seja ou deva ser hasteada, recomendando ainda às Freguesias do Município, através das respetivas Juntas que procedam de igual modo relativamente às suas bandeiras próprias.
