No dia em que passaram oito anos sobre a tragédia do 15 de outubro, o Município de Oliveira do Hospital voltou a recordar o maior incêndio da sua história, que provocou a morte de 13 pessoas, deixando ainda um grau de devastação sem precedentes no concelho.
Na habitual cerimónia evocativa na cidade, junto ao mural aos incêndios na torre dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital, o presidente do Município, José Francisco Rolo, recordou a “brutalidade” do incêndio de há oito anos, que provocou danos irreparáveis com a perda de vidas humanas, mas disse também que o concelho, novamente atingido por dois fortes incêndios no último verão, soube tirar algumas lições de 15 de outubro de 2017.
José Francisco Rolo considera que o concelho dispõe hoje de outros mecanismos de auto proteção e auto organização das comunidades que antes não existiam. “E portanto, algumas lições foram tiradas”, sublinhava o autarca, considerando, ainda assim, haver um longo caminho a percorrer para recuperar integralmente a paisagem do concelho e as próprias vitimas, que passados estes anos todos, continuam a carregar ainda “algumas cicatrizes” “ umas visiveis e outras invisiveis”, e a sentir “a dor da perda”.
Concluiu dizendo que “temos de continuar este caminho de retirar conclusões daquilo que correu menos bem” e “estar atentos” a quem precisa da “nossa ajuda”. Uma opinião partilhada pelo presidente da Assembleia Municipal, na altura à frente dos destinos do Município, José Carlos Alexandrino que entende também ele que, apesar de tudo, o concelho soube tirar algumas lições de 2017 e a prova disso é que os incêndios deste verão, que voltaram a ser devastadores em várias freguesias, não resultaram em perdas humanas.
“Isso é o mais importante, podem arder as matas, mas tudo foi recuperando, quando temos alguém que morre é que é uma grande derrota seja para quem for que está no poder autárquico e uma grande derrota para o próprio concelho”, considerou recordando os momentos dramáticos vividos “na primeira pessoa” e com a sua equipa, no dia 15 de outubro de 2017. “Há quem diga que nós não aprendemos nada, mas eu acho que aprendemos muito nestes incêndios, porque não houve nenhuma morte, pois o mais importante de tudo são as pessoas, e essas já não voltam e fica um vazio enorme em cada casa dos seus familiares”, concluiu também Alexandrino num dia que é sempre marcado pela comoção e pela memória dos que partiram há oito anos, engolidos pelo fogo.
A homenagem às 13 vitimas mortais do grande incêndio de 15 de outubro começou com a habitual romagem aos cemitérios, seguida da deposição de flores e leitura de poemas junto ao mural aos incêndios na torre dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital, e terminou com o acendimento de 13 velas junto à imagem de Nossa Senhora, no adro da igreja matriz de Oliveira do Hospital, o toque de 13 badaladas e a celebração de uma missa em sua memória.
