Reunião com administração da FAAD
Os deputados do PS eleitos pelo círculo de Coimbra deixaram a garantia de tentarem encontrar uma solução para o problema que se coloca ao hospital de Oliveira, que corre o risco de ter de paralisar a atividade cirúrgica já este mês. Numa reunião com a administração da FAAD, onde participaram também o vice presidente da Câmara e presidentes de Junta de Freguesia, afetados pela falta de serviços médicos nas suas aldeias, o deputado João Portugal prometeu acionar “os mecanismos legais” para evitar que esta unidade hospitalar fique em causa. Já o deputado Mário Ruivo apelou à “coerência” do Governo em matérias tão sensíveis como a saúde, entendendo que “não se pode corrigir o deficit com aquilo que já está contratualizado”. Ainda mais, considera o deputado socialista, numa situação em que o Estado não retira qualquer benefício financeiro, na medida em que o hospital local presta serviços a custos mais baixos que os praticados noutros locais. Além disso “estamos a prejudicar uma fundação que presta um serviço de retaguarda que, a ser diminuído, penaliza a população”, adianta Mário Ruivo, recusando-se a aceitar que “num país moderno”, sejam, cada vez mais, “os que têm menos condições a ficar prejudicados no acesso à saúde”. Algumas semanas depois de ter soado o alarme, o presidente da Fundação, Álvaro Herdade, garante que os cortes anunciados pela ARS vão fazer com que a atividade hospitalar “passe a ser residual” nos últimos três meses do ano, o que “não vem ao encontro das necessidades dos utentes que se encontram a 80 km do hospital distrital”. “Nós sempre nos substituímos ao hospital público”, afirmou o médico, voltando a questionar a ARS sobre as razões de “impor um plafond à FAAD e às outras entidades não”. “Achamos que são cortes cegos, não beneficiam em nada os utentes nem o erário público, porque o serviço vai ter de ser feito e a preços mais caros”, argumenta o médico, que nas últimas semanas tem travado uma luta contra a redução dos apoios financeiros à atividade hospitalar. Uma luta que tem como aliada a Câmara Municipal que, inclusivamente, já avançou com a possibilidade de endurecer as posições caso a ARS não recue nas próximas semanas. O número dois do executivo, José Francisco Rolo, considera inaceitável o corte imposto à atividade médica e cirúrgica do hospital da FAAD, lembrando que esta situação põe em risco os cuidados médicos na região e ainda vários postos de trabalho, numa altura em que o desemprego é o maior flagelo do país. “O corte nuns quilómetros de alcatrão não é a mesma coisa que cortes nos apoios financeiros às entidades prestadoras de cuidados de saúde”, advertiu Rolo, a aguardar o desfecho das negociações com a ARS, antes de qualquer “ação política”.
