Em Vila Pouca da Beira as histórias de destruição pelo fogo de 15 de Agosto sucedem-se à medida que avançamos na aldeia. Oito anos depois do grande incêndio de 2017, Vasco Coimbra volta a ver reduzidas a cinza as instalações que eram casa para o seu rebanho com cerca de 70 ovelhas.
“Fiquei sem nada, já em 2017 tinha passado pelo mesmo e levantei-me mais o meu pai” conta o criador de ovinos que agora pensa em fazer o mesmo, temendo, apesar de tudo, alguns prejuízos com os animais que entretanto ficaram sem abrigo.
“A única coisa que pedi no facebook foi o apoio para duas manjedouras, mas mesmo assim ainda não chegaram” afirma o pastor, que fomos encontrar, entre os escombros, a tentar reconstruir o que restou do fogo: algumas chapas metálicas que tenta agora colocar de pé, como pode, para as suas ovelhas não dormirem ao relento porque “ estão a parir” e, com o frio da noite, “morrem-me os borregos”, conta.
Sem sitio para meter os animais e com os pastos agora pintados de negro, o pastor garante, entretanto, já ter recebido ajuda alimentar, fazendo contudo novamente o apelo para o apoiarem com pelo menos duas manjedouras. Porque agora “tenho de me levantar outra vez”, afirma, sem hesitar.
