Oliveira do Hospital assinalou ontem, 15 de outubro, os nove anos sobre os incêndios de 2017, numa cerimónia evocativa em memória das 13 vítimas mortais e de todos aqueles que perderam familiares, habitações, empresas e outros bens naquela que foi uma das maiores tragédias vividas pelo concelho.
Na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, recordou a dimensão da catástrofe e sublinhou a capacidade de recuperação da comunidade, sem esquecer as consequências que continuam a marcar o território e as famílias afetadas.
O incêndio de 2017 queimou 97% da superfície florestal do concelho, destruiu 170 primeiras habitações e afetou 85 empresas, deixando profundas marcas económicas, sociais e ambientais.
O autarca salientou que, apesar do trabalho de reconstrução realizado ao longo dos últimos nove anos, a recuperação de Oliveira do Hospital continua por concluir. “O processo de recuperação do concelho será sempre um processo inacabado”, afirmou, apontando os efeitos da perda da floresta, da erosão dos solos, dos danos nas infraestruturas e da propagação de espécies invasoras.
A regeneração florestal, que começava a dar sinais positivos, foi novamente colocada em causa pelos incêndios de agosto de 2025, nomeadamente nas zonas dos vales do Alva e do Alvoco e do vale do Mondego. Neste contexto, José Francisco Rolo destacou o trabalho em curso no âmbito das operações integradas de gestão da paisagem e anunciou uma ação de reflorestação que prevê a plantação de 50 mil árvores, em parceria com a Fundação Benfica, o Sport Lisboa e Benfica e a Benfica SAD.
O presidente da Câmara chamou também a atenção para a importância da preparação e da articulação entre as várias entidades de proteção civil, considerando que atualmente existe maior capacidade de resposta perante incêndios extremos, graças à coordenação entre bombeiros, serviços municipais, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e equipas de sapadores.
Ainda assim, a memória de 2017 permanece como um alerta para a vulnerabilidade do território perante fenómenos meteorológicos extremos e incêndios de grande dimensão.
“Somos uma comunidade resiliente, forte, resistimos a essa grande provação e estamos aqui reerguidos das cinzas”, declarou José Francisco Rolo, agradecendo a todos os que contribuíram para a recuperação do concelho e destacando o papel dos bombeiros, da proteção civil, dos funcionários municipais, da GNR, dos empresários, dos agricultores e da população.
José Carlos Alexandrino recorda “o pior dia” dos seus mandatos
Também José Carlos Alexandrino, atual presidente da Assembleia Municipal e presidente da Câmara de Oliveira do Hospital à data dos incêndios, evocou a dimensão humana da tragédia e o esforço coletivo que se seguiu para reconstruir o concelho.
“Este dia ficou marcado no livro da minha vida como o pior dia dos meus mandatos como Presidente da Câmara Municipal”, afirmou, recordando as vítimas mortais, os feridos e todas as pessoas que perderam os seus bens.
O antigo presidente da Câmara destacou a união da comunidade na resposta à catástrofe e os progressos alcançados na recuperação das habitações, das empresas e da floresta. Agradeceu ainda o empenho dos trabalhadores municipais, dos presidentes de junta, da proteção civil e de todos os que ajudaram Oliveira do Hospital nos momentos mais difíceis.
Apesar da reconstrução, sublinhou que a dor das famílias não desaparece com a recuperação material. “Não podemos devolver as vidas perdidas, nem apagar a dor das suas famílias. Mas podemos garantir-vos é que nunca as esqueceremos”, declarou.
José Carlos Alexandrino deixou ainda uma palavra de reconhecimento aos bombeiros de Oliveira do Hospital e às corporações de todo o país que se mobilizaram para combater os incêndios e proteger as populações.
A evocação incluiu uma romagem aos cemitérios, uma homenagem junto ao mural “Em Memória do Grande Incêndio de 15 outubro de 2017”, junto aos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital, o toque de 13 badaladas nas igrejas das freguesias e o acionamento da sirene dos bombeiros durante um minuto. A cerimónia terminou com uma missa na Igreja Matriz, durante a qual foram acesas 13 velas em memória das vítimas.
