Presidente da Câmara quer dar exemplo de “solidariedade” à Europa e escreve ao Primeiro Ministro a disponibilizar-se para acolher no concelho pelo menos 10 famílias, vítimas dos naufrágios no Mediterrâneo.
O Município de Oliveira do Hospital quer dar o exemplo de “solidariedade” ao país e ao mundo, pretendendo ser o primeiro concelho a nível nacional a acolher refugiados de Lampedusa, a ilha italiana que acolhe centenas de imigrantes vindos de África, vitimas dos sucessivos naufrágios no mar Mediterrâneo.
A informação é avançada pelo presidente da Câmara Municipal, José Carlos Alexandrino, que garante já ter enviado uma missiva ao Primeiro Ministro, a disponibilizar-se para acolher em instalações municipais pelo menos 10 famílias, num total de 20 refugiados, tendo em conta a situação “crítica” em que muitos destes se encontram naquele centro de acolhimento, havendo mesmo, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, muitas famílias com crianças “ a dormir ao relento sem hipótese de abrigo”.
Incapaz de passar indiferente a esta tragédia humana, o presidente da edilidade adiantou aos jornalistas que o Município acaba de propor ao Governo que Oliveira do Hospital possa ser o primeiro concelho no país a receber refugiados de Lampedusa.“Oliveira está disponível a acolher 10 famílias ou 20 pessoas isoladamente porque nós somos um concelho inclusivo, quando hoje se fala muito em integração, como aquela gente não tem nada nas suas terras e preferem morrer no mar a morrer na miséria, nós estamos disponíveis a ser o primeiro concelho a nível nacional a recebe-los, até agora não há ninguém que o tenha feito”, assegura Alexandrino, revelando que o acolhimento dos refugiados será feito numa primeira fase, em instalações do Município, mais concretamente no Lar de Travanca, que há vários anos que deixou de acolher idosos, e depois da sua “integração” com a comunidade e com a língua portuguesa, a ideia é “distribui-los pelas nossas aldeias”.
“Contatei com pessoas que têm casas disponíveis em várias freguesias, e estão abertas a recebê-los” conta Alexandrino, querendo afirmar Oliveira do Hospital como um concelho solidário. “Oliveira do Hospital será um exemplo a nível de Portugal e da Europa de solidariedade com os outros povos, porque aquelas crianças que ai estão têm direitos como os nossos filhos”, diz o autarca, sensível ao drama humano que se vive nesta altura em Lampedusa, onde centenas de refugiados vivem sem as condições mínimas de acolhimento.
Refira-se que fruto da extensa comunidade estrangeira que reside e que se veio fixando no concelho oliveirense nos últimos anos, a autarquia lançou um programa de “inserção” para estas pessoas, designado de “Friendly Municipality”, que tem precisamente como objetivo contribuir para a integração destes cidadãos com a comunidade local, através da sua participação em diversas iniciativas.












