Oliveira do Hospital contabiliza dois milhões de euros em danos e volta a pedir apoios do Governo

A chuva intensa continua a causar estragos significativos em Oliveira do Hospital. O município estima já mais de dois milhões de euros em prejuízos provocados pelo mau tempo registado nos últimos dias.

Durante a última reunião pública do executivo municipal, o presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo, voltou a manifestar preocupação pelo facto de o concelho não estar incluído nos apoios governamentais destinados às regiões afetadas por esta situação de calamidade.

Na ocasião, o autarca apresentou um balanço detalhado dos impactos das recentes intempéries, referindo que, até ao momento da reunião, foram contabilizadas 109 ocorrências: quatro associadas à passagem da tempestade Ingrid e 105 relacionadas com a depressão Kristin, número que continua a aumentar.

Os Serviços Municipais de Proteção Civil e a Divisão de Infraestruturas registaram incidentes em várias freguesias do concelho: Aldeia das Dez (13), Alvoco das Várzeas (13), Avô (3), Bobadela (2), lagares da Beira (4), Lourosa (2), Meruge (1), Nogueira do Cravo (6), São Gião (4), Seixo da Beira (7), Travanca de Lagos (4), Lagos da Beira e Lajeosa (6), Oliveira do Hospital e São Paio de Gramaços (14), Penalva de Alva e São Sebastião da Feira (19) e União de Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca da Beira (11).

José Francisco Rolo explicou ainda que a autarquia já comunicou todos os danos à CCDR Centro e aos Ministérios competentes, esperando que o concelho possa vir a ser incluído numa eventual adenda à Resolução do Conselho de Ministros da declaração oficial de calamidade. “Estamos a reunir e atualizar toda a informação para que Oliveira do Hospital possa beneficiar deste mecanismo legal”, afirmou.

O presidente sublinhou que o pedido não pretende prejudicar outras regiões mais afetadas, como Leiria ou Coimbra, mas apenas garantir igualdade no acesso aos apoios. “Estamos apenas a reivindicar o direito de recuperar os danos sofridos”, reforçou, apelando a uma solução justa.

Entre as situações mais preocupantes está a Estrada Municipal 508, junto à entrada de Aldeia das Dez, onde ocorreram desabamentos devido à saturação dos solos. O autarca alertou para o risco de novos deslizamentos e explicou que a reparação poderá ser mais rápida caso o município seja abrangido pela declaração de calamidade.

Os estragos atingiram também propriedades privadas, equipamentos desportivos e espaços turísticos. Além da destruição de praias fluviais, o Estádio Santo António, em Nogueira do Cravo, sofreu um novo desabamento, agravando danos já existentes desde o ano passado. Rolo criticou ainda a falta de resposta da Federação Portuguesa de Futebol, considerando injusto o atraso na resolução do problema.

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