Com o tema na praça pública, os vereadores da oposição na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital também já vieram justificar publicamente o voto contra o projeto de instalação de um parque fotovoltaico na zona do Vale do Alva, aprovado pela maioria do PS no Executivo Camarário.
“Votámos contra e é importante que a população saiba que nós votámos contra e porquê”, começou por referir Francisco Rodrigues, numa conferência de imprensa convocada, ao que fizeram questão de sublinhar, para “dar a conhecer” a versão da coligação PSD/CDS-PP, aos oliveirenses.
A lamentar o facto de apenas terem tido conhecimento dos factos nas vésperas de uma reunião extraordinária realizada em fevereiro onde o assunto foi discutido, quando o dossier estava a ser tratado há um ano, Rodrigues fala numa primeira versão da proposta com impactos ainda mais “irremediáveis” que previa a instalação da central, numa área mais extensa e próxima de um empreendimento turístico de luxo.
“A área técnica da Câmara Municipal atuou muito bem quando colocou entraves, e muitos, relativamente àquela solução de implantação do parque fotovoltaico” afirmou, entendendo que a segunda versão vai no sentido de “compactar a implantação dos painéis num terreno um bocadinho mais acima”, mas ainda assim “mantendo o número de painéis fotovoltaicos”.
Confessando-se chocados com o projeto, os vereadores da oposição lembram que não foram os únicos a ter uma posição contrária à implantação da central fotovoltaica, na localização apresentada, garantindo que o próprio vice-presidente da Câmara Municipal também tinha manifestado a intenção de se abster na votação, situação que terá levado o presidente da Câmara Municipal, a adiar a votação para a reunião do passado dia 21 de Março, onde estiveram presentes responsáveis da Sonae Arauco,entre eles o CEO, Rui Correia, a apresentar e a prestar esclarecimentos sobre o projeto.
Apesar das explicações avançadas pelos diretores da empresa, Francisco Rodrigues não aceita o regime de “exceção” usado para o licenciamento do projeto, e nomeadamente o argumento de que, num raio de 5 km do local onde a fábrica está implantada não há alternativas para a instalação do parque fotovoltaico. “O que mais há é terrenos disponíveis” afirmou, garantindo que para isso era preciso fazer o trabalho de identificação de outros terrenos, junto dos seus proprietários, que permitisse a instalação daquela infraestrutura.
Admitindo “tratar-se de um investimento de enorme interesse para a empresa Sonae Arauco que gera poupanças e melhoria de eficiências ao nível da produção de empresa”, o vereador social democrata refere que tudo isso são, acima de tudo, “benefícios” para a própria Sonae que até tem “sede fiscal em Mangualde e não em Oliveira do Hospital” e, “claro, para os herdeiros dos proprietários do terreno, que vão passar a ter um rendimento fixo e regular decorrente desta situação”, fez notar, recusando a ideia de que este era “o único sítio possível” para fazer este investimento.
Por considerarem não haver benefícios “nem para a comunidade, nem para o território” desta situação, os vereadores da oposição consideram que devia ter havido “um cuidado de responsabilidade social por parte da empresa, no sentido de estabelecer um caderno de compensações que, de alguma maneira, ajudasse a minimizar os efeitos negativos que daqui resultam”, sugerindo, nomeadamente um processo de reflorestação por parte da Sonae “nas áreas que foram ardidas pelo incêndio de 2017 e hoje que estão extremamente ocupadas pelas espécies invasoras” , uma vez que, a proposta “enfatizada pela Câmara de que existe um Plano de Intervenção na Paisagem (PIP)” é uma “falácia”, observam.
Para a coligação, o executivo socialista “não teve cuidado nenhum” na forma como conduziu um processo com esta relevância, e duvida mesmo que se fosse José Carlos Alexandrino que estivesse à frente da Câmara Municipal o fizesse desta forma,“sem envolver a oposição”.
Por todos os motivos apresentados, Rodrigues lamenta ainda que o Município tenha autorizado um investimento de nove milhões de euros “com os impactos negativos que isto tem” e só receba “em troca” 135 mil euros do Fundo Ambiental, entendendo que isto “não é proteger bem os interesses do território”.
