António Borges, pai de Rafael Borges, o jovem de 33 anos desaparecido desde o passado dia 12 de maio, lançou um apelo emocionado à população para ajudar a encontrar o filho, cujo paradeiro continua desconhecido há várias semanas.
Em declarações ao Folha do Centro, junto à central de camionagem de Oliveira do Hospital, local onde Rafael terá sido visto pela última vez, o pai descreveu o sofrimento vivido pela família desde o desaparecimento.
“Eu e a minha esposa não conseguimos dormir. Tem sido terrível”, confessou António Borges, visivelmente abalado. “Peço a toda a gente do país que, se realmente viram o Rafael, comuniquem às autoridades. O Rafael está descompensado, precisa de medicação e neste momento não tem acesso a ela”.
Segundo o pai, Rafael sofria de perturbações do foro psíquico e tinha estado internado durante cerca de três meses antes de desaparecer. Necessitava de medicação diária e de uma injeção mensal para estabilização clínica.
“Ele precisa mesmo dessa medicação. Passados 15 dias depois de sair do hospital, já não estava bem e ausentou-se. Desde aí, não sabemos absolutamente nada”, afirmou.
A última vez que Rafael terá sido visto foi na madrugada de 12 para 13 de maio, junto à rodoviária de Oliveira do Hospital. Testemunhas indicaram à família que o jovem passou a noite naquele local e acabou por apanhar um autocarro em direção a Coimbra.
“Disseram-me que ele estava de chinelos, levava uma mochila e outras chinelas à cintura. Nunca mais tivemos notícias”, contou o pai.
As autoridades terão conseguido localizar um último sinal do telemóvel de Rafael no sul de Espanha, próximo da fronteira com Portugal. Desde então, o telemóvel encontra-se desligado e não houve qualquer novo contacto. “O comandante da GNR informou-me que o telemóvel deu sinal no sul de Espanha, mas a partir daí não sabemos mais nada. Estamos numa angústia constante”, lamentou.
Embora Rafael já tivesse saído de casa noutras ocasiões, António Borges explica que nunca esteve desaparecido durante tanto tempo sem dar notícias. “Antes eram quatro ou cinco dias. Havia sempre contacto, conseguíamos mandar dinheiro ou ir buscá-lo. Agora é diferente. Agora é dramático”, disse.
António Borges aproveitou ainda para agradecer o apoio que tem recebido da população, bombeiros, colegas e órgãos de comunicação social.
“Fui bombeiro durante 44 anos. Nestes momentos precisamos de toda a gente. Quero agradecer às pessoas de todo o país e até do estrangeiro que têm ajudado a divulgar o desaparecimento do Rafael”, afirmou.
Apesar da esperança de reencontrar o filho com vida, o pai admite que o passar dos dias aumenta o medo do pior cenário. “No nosso pensamento há um lado bom e um lado mau. São muitos dias. Pensamos no pior, mas continuamos a acreditar que ele vai aparecer”, concluiu.
A família apela a qualquer pessoa que tenha informações sobre Rafael Borges para contactar imediatamente as autoridades.
