
Empreendimento pretende atingir as 100 mil visitas no primeiro ano de funcionamento.
“Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce”. A célebre frase de Pessoa pode bem enquadrar-se na ainda curta história do Museu do Azeite, na Bobadela, concelho de Oliveira do Hospital, aberto ao público desde domingo, dia 2. O sonhador, também ali nascido e criado, é António Dias, produtor de azeite há mais de 30 anos e um dos mais conhecidos na região. O sonho feito obra é visível a alguns quilómetros de distância: um total de 1700 m2 de área coberta em formato de ramo de oliveira gigante que, através, ora de folhas de oliveira, ora de azeitonas nos vão contando histórias das formas, mecanismos e contextos de produção do tão apreciado líquido.
Ao longo de três décadas de trabalho no setor, o também proprietário da Sociedade de Azeite e Destilaria Dias, Lda., sempre com o apoio próximo da esposa, Manuela Dias, diz ter começado a ver nas peças do lagar “autênticas obras de arte, que se iriam perder no tempo” não tendo por isso ele perdido tempo a adquirir várias delas, “primeiro era para pôr no jardim, mais tarde surgiu a ideia do museu”, conta.
Para o promotor do museu e proprietário do lagar de azeite contíguo, este abrir de portas ao público, embora peque por tardia, é “a concretização de um sonho de família com muitos anos”. E é num museu que prima pelos espaços interativos e pelas atividades à medida dos mais novos que se materializa este espaço dedicado à preservação de uma tradição e identidade comum.
Salientando o espaço inovador do complexo museológico, a arquitetura arrojada do edifício e a referência a um produto que está todos os dias à nossa mesa, a diretora do museu, Laura Quaresma evidencia desde logo a complementaridade entre o Museu enquanto recurso turístico e o destino Bobadela-Oliveira do Hospital. Evidente pretende-se também o aumento da fruição turística a estes destinos, sendo que o Museu do Azeite coloca as suas estimativas em cerca de 50 a 100 mil visitantes no primeiro ano. Para tal, a diretora do museu sublinha a importância de uma boa estratégia de divulgação e de comunicação, contrariando a ideia de estarmos na terra onde “não se passa nada”. Laura Quaresma salienta ainda a importância do financiamento do projeto por parte do Turismo de Portugal, pois “este apoio é um sinal de que também se acredita nos projetos do interior, cada vez mais desertificado, e em seres humanos como António Dias”, diz. “Daqui a cinco anos queremos mostrar ao país que valeu a pena vir investir na Bobadela”, dizem promotores e diretora do recém aberto Museu do Azeite, salientando ainda o papel dos doze colaboradores agora a iniciar funções, cuja responsabilidade, mas também “paixão” pelo trabalho deverá ser acrescida por estar a acompanhar um projeto desde o seu formato embrião. “Serão eles a cara do Museu do Azeite”, afirma Laura Quaresma.
Com tudo a postos para ser um sucesso, só falta agora mesmo a data para a inauguração oficial, que António Dias diz ainda não estar prevista por não existir “confirmação da disponibilidade de uma pessoa muito especial para nós e também com algumas raízes nesta região”. É aguardar. Até lá, já pode visitar.
