O genuíno mundo rural vai voltar a estar em destaque, este fim de semana (8 e 9 de Novembro) em Meruge, em mais uma Feira do Porco e do Enchido, que chega este ano à 22ª edição. A apresentação do certame decorreu, esta terça-feira (4), na Casa do Boco – uma unidade de turismo em espaço rural, e contou, no final, com uma degustação dos produtos de excelência produzidos na freguesia.
A abrir o apetite para mais um fim de semana que se espera “grandioso”, a vereadora Luísa Correia, que marcou a sua “estreia” enquanto autarca, fez questão de deixar bem vincado o convite para uma visita a um evento que considera “único” e “espontâneo” na região, como é a Feira do Porco e do Enchido, que tem para oferecer algumas das maravilhas gastronómicas confecionadas na freguesia, mas também de todo o concelho de Oliveira do Hospital. A falar em casa, uma vez que é natural de Meruge, a vereadora agradeceu todo o trabalho e o empenho da Junta de Freguesia para chegar até aqui, e em particular ao seu presidente João Abreu e a toda a equipa, que permitem que esta seja hoje “uma das maiores feiras” deste género no país..
Cumpridos que estão os objetivos iniciais com este certame que era homenagear os antigos porqueiros e preservar o saber ancestral da produção dos enchidos que são um verdadeiro ex-libris da freguesia, João Abreu entende que, ao longo destes 22 anos, a Feira do Porco soube crescer “de forma integrada”, recuperando ainda para a mesa dos portugueses, alguns dos pratos típicos que estavam completamente esquecidos. Apontou o exemplo do arroz de suã, que hoje é conhecido até “a nível internacional”, mas também os torresmos na caçoila, o arroz de salpicão, as bolas, ou seja, “toda essa componente da gastronomia é um elemento altamente valorativo da Feira do Porco e do Enchido”, notou.
Com cerca de uma centena de expositores já confirmados, João Abreu garante que a edição deste ano regista uma “avalanche de inscrições”, a que não é alheio, segundo o autarca, a “qualidade única” do certame que consegue a interligação entre gastronomia, agricultura familiar e animação de cariz popular. Abreu destacou a aposta crescente na programação do primeiro dia do certame (sábado dia 8), e na preocupação em escolher músicos e artistas que dêem “identidade à festa” e não os que “são mais conhecidos”. O sábado vai ficar então marcado por um um encontro de gaiteiros, pelo já tradicional magusto noturno na caruma, enquanto momento único de afirmação da cultura e de convívio popular e ainda pelo concerto pela orquestra Music’arte, na capela de Nossa Senhora da Conceição.
No domingo, dia alto do certame, os sabores e os odores vão partilhar o mesmo espaço das inúmeras propostas de animação no terreiro do santo e laje grande. João Abreu destaca como novidade da edição deste ano a “quintinha ao vivo”, onde haverá animais para todos os gostos, mantendo-se o já tradicional teatro de animação de rua e os os diferentes jogos tradicionais, com destaque para a recreação do jogo do pau e o jogo da panela, como animação permanente do recinto, onde o ex-libris é a praça do fumeiro e as tasquinhas com comida típica.
“Queremos que este seja o evento mais genuíno e mais prometedor do ponto de vista da preservação da cultura popular que se realiza no nosso concelho e na nossa região”, rematou o presidente da Junta.
Parceiro “ativo” deste evento, o Município de Oliveira do Hospital e o seu presidente José Francisco Rolo entendem que esta Feira “representa a genuinidade e autenticidade” hoje tão procurada por quem visita estes territórios. “Assumidamente a Feira do Porco e do Enchido é o assumir de um mundo rural que persiste, muito por força das pessoas que habitam neste território e continuam a produzir produtos de qualidade, hoje com outro nível de exigência de controle dessa mesma qualidade, e que dão vida a uma aldeia” observou, lembrando que todas as iguarias que deram origem a este certame vão estar à prova este fim de semana, “fazem parte da identidade de Meruge”.
“Esta feira é uma homenagem à tradição e ao devir histórico da comunidade de Meruge, antigamente as pessoas criavam o porco, matavam o porco, vendiam a carne, também produziam enchidos e todas as várias aplicações que a carne poderia ter e vai continuar a ter, vão ter palco aqui, este fim de semana, no centro da aldeia”, referiu o edil, lançando o convite, a partir de Meruge, para visitar o certame e provar estas “magníficas iguarias” à volta do afloramento granítico que é a laje grande e usufruir das várias experiências preparadas pela organização.
“O convite que deixamos à região é para vir experimentar e experienciar a autenticidade e a genuinidade de produtos que persistem e passam de geração em geração”, apelou o presidente da Câmara, deixando ainda a sugestão aos visitantes para virem “em família” e de “véspera” para usufruírem das unidades de alojamento locais e da vida numa aldeia beirã, no sopé da Serra da Estrela, em Oliveira do Hospital.
“A Feira do Porco e do Enchido é tudo isto: é oferecer na laje grande, num grande palco a recriação daquilo que é a vida numa aldeia e os produtos de excelência que são produzidos por uma comunidade inteira”. “Esperamos milhares de pessoas”, concluiu José Francisco Rolo, não tendo dúvidas que este é um dos “eventos marca” do concelho de Oliveira do Hospital e da região de Coimbra que não tem outro igual.
