Aconteceu esta quinta-feira (15) “mais uma criminosa descarga de efluentes lácteos pelas queijarias localizadas na margem do Rio Cobral, na Catraia de S.Romão/Carragasola, concelho de Seia”. A situação foi denunciada pela Junta de Freguesia de Meruge “com um profundo sentimento de revolta e descrença na autoridade do Estado”.
Segundo o presidente da autarquia, João Abreu, “o rio corria completamente poluído e branco de espuma”, assim como o “ar estava empestado pelo cheiro nauseabundo do soro e dos restos de leite podres”.
“Onde estão as autoridades fiscalizadoras? Porque continua o Governo e o seu Ministério do Ambiente, mudo e quedo, perante as sucessivas denúncias e pedidos de intervenção feitas pela Junta de Freguesia de Meruge, para que se ponha cobro a este nefasto atentado ambiental e contra a saúde da população? Porque se sentem os «donos» das fábricas seguros e de costas quentes, para abrirem arrogante e ilegalmente as comportas dos seus tanques de retenção dos sobrantes lácteos, para o Rio Cobral?, questiona o autarca.
João Abreu adianta que “nas últimas duas semanas, sempre que caíram chuvas fortes, as descargas sucederam-se associadas às condições de pluviosidade” e que, “consequentemente, a Junta fez, em cada ocasião, a participação à APA e à Inspecção do Ambiente”. “Em vão. As descargas são cada vez mais intensas e violentas, o que demonstra a certeza dos criminosos, de que não serão detectados, nem punidos. Para estes «candongueiros», não há leis, nem respeito pelo ambiente e pelas pessoas. Habituados a vender «gato por lebre», colocando o rótulo «SEIA», no queijo que produzem com leite de ovelha importado de Espanha e de Israel, não sentem qualquer rebate de consciência pelo mal que fazem à natureza e aos seres humanos com a sua conduta ilegal”, lê-se no comunicado enviado às redações.
A Junta de Freguesia afirma que “para quem vive e defende a Constituição da República, tudo isto é desolador e frustrante” por se assistir “a uma situação continuada de mais de 20 anos”.
A autarquia reforça que “tem protagonizado o caminho das soluções para este grave problema, propondo a utilização de fundos comunitários para a construção de uma ETAR coletiva, dotada dos mais modernos métodos de tratamento de efluentes lácteos, que possa receber e tratar os efluentes produzidos por estas unidades industriais”. João Abreu considera que “a Câmara de Seia e o Ministério do Ambiente fazem orelhas moucas à proposta e sancionam, pela inércia e ineficácia fiscalizadora, o comportamento ilegal e criminosos dos poluidores”.
“A história ensinou-nos que, quando o Estado se mostra ineficaz e desinteressado em promover a justiça, tem de ser o povo a fazê-la por suas próprias mãos. Esperamos, sinceramente, não ter de agir dessa forma para parar este reiterado, impune e criminoso atentado cívico e ambiental”, conclui.
