Meruge, a “Catedral da Cozinha Rural”, acolhe a 23.ª edição da Feira do Porco e do Enchido

Meruge prepara-se para acolher, nos dias 6, 7 e 8 de novembro, a 23.ª edição da Feira do Porco e do Enchido, um certame já consagrado no calendário do concelho de Oliveira do Hospital. A freguesia volta a assumir-se, no próximo fim-de-semana, como a autêntica “catedral da cozinha rural” da Beira Alta. O evento promete três dias de forte celebração do património gastronómico e cultural da região, combinando a autenticidade dos sabores mais genuínos da aldeia com uma programação recheada de música, etnografia, natureza e animação para toda a família.

Na apresentação oficial do evento, o presidente da Junta de Freguesia de Meruge, João Abreu, começou por sublinhar que se trata de “um evento afirmado, reconfirmado e, portanto, com um historial de sucessos extraordinário”, constituindo uma “imagem de marca não apenas da freguesia de Meruge, mas também do concelho”. A iniciativa conta com o apoio da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, a quem o autarca agradeceu por tratar a feira “com a importância que ela, de facto, tem e que merece”.

Uma das principais novidades desta edição é o alargamento da programação, com início marcado para a noite de sexta-feira, dia 6 de novembro, com Fado de Coimbra. Entre os novos atrativos destaca-se também a abertura, no sábado e com entrada livre, do Parque Aventura das Entre as Águas, para quem quiser “sentir a adrenalina das alturas e conhecer aquele espaço”.

A nível cultural e etnográfico, a organização reforça a aposta num cartaz diversificado. Na Capela de Nossa Senhora da Conceição terá lugar um concerto concebido de raiz pelo coro e orquestra Music’Arte. A feira aposta ainda na internacionalização com um grupo de acrobatas da República Checa e o grupo Al Folk de música e dança Sufi oriental. Na Laje Grande, espaço recentemente classificado como Geossítio do Geoparque Estrela da UNESCO, realizar-se-á o tradicional magusto nocturno.

A animação de rua trará este ano recriações históricas focadas na figura de D. Afonso Henriques. O cartaz fica completo com a Feira da Agricultura Familiar, os passeios de burro no Espaço Criança, os cantadores ao Desafio do Minho, os concertos itinerantes da Fanfarra Káustica e uma ação de sensibilização ambiental em parceria com o CERVAS, que promoverá a libertação de uma ave recuperada.

A vertente gastronómica volta a ser o grande polo de atração do evento. A par de pratos icónicos como o arroz de suã, as bifanas, o porco no espeto e os torresmos na caçoila, a organização introduz este ano duas iguarias tradicionais: os ossos do espinhaço com couve de cortar e batata-racha, e a sobremesa de carolos doces. João Abreu enfatizou que a classificação de Meruge como “catedral da cozinha rural” não é dita “por pompa e circunstância”, mas sim porque a freguesia tem “pratos genuínos que estão hoje a fazer o seu caminho como parte da riqueza da nossa gastronomia popular”.

A vereadora da Cultura do Município de Oliveira do Hospital, Luísa Correia, destacou o orgulho na realização do certame, afirmando que a iniciativa “tem já o ADN da freguesia de Meruge e a identidade do nosso concelho”. A responsável lembrou que “a cultura não está só nos livros ou nos grandes eventos, está sobretudo naquilo que nós somos e naquilo que sabemos fazer”, deixando o convite para que a população visite a aldeia e venha “fazer a festa connosco”.

A encerrar a apresentação, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, reforçou o apelo à participação de toda a região para desfrutar da “autenticidade de uma aldeia” que soube cruzar o seu ambiente natural com a vivência comunitária. O autarca de Oliveira do Hospital classificou a feira como uma “marca de referência distintiva na gastronomia da região”, enaltecendo o esforço coletivo na recuperação da memória e das tradições beirãs.

“O convite que faço em nome do município é para vir até Oliveira do Hospital e desfrutar de uma multiplicidade de iniciativas que têm todas um traço comum: genuinidade, autenticidade e o regresso à vida na aldeia”, disse.

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